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26.03.2012 - 09:06 - Fonte: Hoje em Dia

Crianças de Valadares ficam vulneráveis mais uma vez

A falta de repasses para entidades que acolhem crianças e adolescentes em Governador Valadares deixa abandonados à própria sorte meninos e meninas que dependem do abrigamento para saírem de uma situação de vulnerabilidade social.

A falta de repasses para entidades que acolhem crianças e adolescentes em Governador Valadares deixa abandonados à própria sorte meninos e meninas que dependem do abrigamento para saírem de uma situação de vulnerabilidade social.

 

Sem dinheiro, as instituições recusam novos “hóspedes” e, sem ter para onde ir, eles acabam levados de volta para casa, ficando novamente expostos aos riscos que o acolhimento queria impedir.

 

 


“O coração da gente fica apertado, mas não temos mais condições de receber pessoas.

 

Há poucos dias, nos pediram para acolher três garotos, mas recusamos porque não poderíamos dar atendimento adequado”, diz Maria da Penha Silva, vice-presidente da Cidade do Meninos.

 

 


A instituição tem capacidade para receber 50 menores de até 18 anos, mas devido às dificuldades financeiras está com apenas metade das vagas ocupadas.

 

Sete funcionários já foram demitidos e uma unidade do programa Casa Lar, criado para a melhor adaptação dos internos, está fechada.

 

 


Em janeiro, a direção enviou um ofício à Justiça pedindo para que não fossem encaminhadas mais crianças.

 

Somente no ano passado, o município deixou de destinar R$ 116 mil para a entidade. “Estamos nos mantendo com doações”, diz Maria da Penha.

 

 


O repasse de recursos do Fundo Municipal de Assistência Social estaria suspenso para todas as instituições do tipo, em Valadares, há pelo menos dois anos.

 

Sufocados, os centros de acolhimento dispensam funcionários e estudam o que fazer com os menores assistidos.

 

 


Não se sabe quantas crianças e jovens já foram recusados, mas a situação é considerada grave pelo promotor Gustavo Leite, coordenador regional das Promotorias de Infância e Juventude da Macrorregião do Vale do Rio Doce.

 

 


Ações contra o município ajuizadas pelo promotor desde 2010 beneficiam a Sociedade Missionária de Recuperação Humana, a Casa da Menina, a Cidade dos Meninos, o Programa Futuro Feliz e o Grupo Gente Nova que, juntos, abrigam cerca de 200 crianças.

 

A prefeitura é obrigada a fazer os depósitos, mas recorre de todas as sentenças.

 

 


Para honrar compromissos e continuar funcionando, ainda que de maneira precária, diretores das unidades não têm saída a não ser o corte de despesas, que inclui a demissão de servidores e a redução das vagas de atendimento.

 

 


Com o cofre vazio, o Programa Futuro Feliz, fundado há 13 anos, pode ser o primeiro a fechar.

 

Os 11 funcionários que ainda trabalham na instituição já cumprem aviso prévio.

 

A entidade era mantida com a ajuda da prefeitura e tinha a folha de pagamento vinculada a uma igreja evangélica.

 

“Se o município não repassar o dinheiro atrasado é quase certo que fecharemos, pois a igreja não vai mais pagar os salários”, diz a coordenadora, Chirlem Flávia Lopes.

 

 


No espaço vivem 15 crianças e adolescentes com idade entre 6 e 17 anos. Todas foram encaminhadas pelo Conselho Tutelar, em cumprimento a medidas protetivas.

 

 


“Se não apoiar as instituições, a prefeitura terá que assumir as políticas públicas. Essas crianças não vão deixar de tomar café, almoçar e jantar nem de existir porque não há repasse. Quando falamos para os meninos que fomos dispensados, eles perguntam, emocionados, para onde vão e como conseguirão emprego, no futuro, sem a nossa ajuda. Não temos essa resposta”, diz Chirlem.