Seu Internet Explorer está desatualizado

Para uma melhor visualização do site, utilize a mais nova versão ou escolha outro navegador.

Notícias » Economia

06/06/2012 - 11:27 - Fonte: Gazeta de Araçuai/O Tempo/Hoje em Dia

De volta às ruas, Thales Maioline, autor do golpe da FIRV não poderá sair à noite nem deixar BH

Para manter o benefício de liberdade provisória, ganhada na noite de segunda-feira (04/06) Thales Maioline terá que comparecer semanalmente em juízo, não poderá sair de Belo Horizonte, deverá manter atualizado seu endereço e permanecer em casa durante a noite.

Foto: divulgação De volta às ruas, Thales Maioline, autor do golpe da FIRV não poderá sair à noite nem deixar BH
Natural de Araçuai, onde fez mais de 150 vítimas, Thales foi libertado após 2 anos de prisão

Para manter o benefício de liberdade provisória, ganhada na noite de segunda-feira (04/06) Thales  Maioline terá que comparecer semanalmente em juízo, não poderá sair de Belo Horizonte, deverá manter atualizado seu endereço e permanecer em casa durante a noite.

 

Um dos advogados de Maioline, Moisés Arcanjo de Assis, disse que o cliente vai permanecer em Belo Horizonte, mas não informou se ele vai  continuar  morando  com a esposa, que chegou a pedir divórcio quando o investidor foi preso. Após deixar a prisão, Thales seguiu para a casa da ex-mulher na região da Pampulha porque, segundo seu advogado, ele não tinha para onde ir.

 


A liberdade foi autorizada pelo juiz Milton Lívio Lemos Salles, da 4ª Vara Criminal do Fórum Lafayette.

 

Ele  justificou a decisão, dizendo que embora haja fortes indícios de que  Thales  seja o autor do crime, a sua liberdade não vai atrapalhar o processo.

 



O Ministério Público ainda ainda não se manifestou se vai recorrer da decisão que concedeu liberdade a Thales Maioline.

 



 Autor de um dos maiores golpes financeiros do país, Thales  continua com todos os bens bloqueados até que o processo seja julgado.



 Tramita paralelamente na Justiça do Trabalho um processo em que os ex-funcionários da Firv pedem pagamento de direitos trabalhistas

 

Sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários(CVM), Thales Maioline montou um sistema de pirâmide, pelo qual o rendimento dos novos investidores que entravam na base da pirâmide sustentavam o topo.

 

Aos clientes, ele oferecia rendimento acima da média de mercado (5% ao mês mais bonificação semestral).

 

A pirâmide quebrou e Thales fugiu, sendo suspeito de ter embolsado milhões dos investidores.  A polícia suspeita que parte do dinheiro estaria  no Panamá, paraiso fiscal.

 


 
Empresa fez 2 mil vítimas em 14 cidades


Mais de  2 mil investidores de 14 cidades, entre elas Araçuai (MG) terra natal de Maioline, cairam no batido golpe da "pirâmide" financeira da Firv – esquema que desabou em agosto de 2010, quando Thales Maioline teve prisão preventiva decretada.



 Durante quatro meses, o empresário ficou foragido.


 Segundo relatou à imprensa, ele se escondeu na parte boliviana da floresta amazônica, se passando por jornalista.



 Em dezembro de 2010, Maioline se entregou à polícia, ficando preso até 4 de junho de 2012.



O esquema de "pirâmides" é um antigo golpe financeiro que já fez diversas vítimas pelo mundo.

 

Ele funciona apostando na entrada constantes de novos investidores, que vão mantendo a remuneração dos mais antigos.

O esquema desaba quando para de entrar dinheiro novo.

O golpe mais famoso desse tipo foi aplicado pelo norte-americano Bernard Madoff, condenado a 150 anos de prisão e continua preso nos Estados Unidos.


Dificilmente vítimas receberão dinheiro de volta

“ A menos que tenha algo encoberto, dificilmente os investidores serão ressarcidos”, disse o advogado das vítimas da FIRV, Antonio Miranda.


 Ele explicou que alguns dos ex-funcionários da empresa conseguiram comprovar salários mensais de R$ 800 a até R$ 30 mil por mês, entre fixo e comissões, dependendo do giro de cada um, além da falta de pagamento de férias, 13º salário, fundo de garantia e aviso prévio. “O crédito trabalhista é preferencial. O que sobra é destinado ao pagamento de impostos e quirografários (comuns).

 

No fim da linha, estão os investidores explica Antônio Miranda, advogado de 16 dos 17 agentes da sede da Firv em Belo Horizonte, que atuavam também em Itabirito, Itabira, Nova Lima e outras cidades, a exemplo de Araçuaí, terra natal do golpista



. Ex-juiz do Trabalho por 35 anos, Miranda lembra que enquanto esses processos trabalhistas levam em média  60 dias para transitar em julgado,  outros podem levar até 10 anos.



Dos 16 processos trabalhistas, 14 já estão em fase de execução judicial, ou seja, o juiz já condenou a Firv, totalmente ou em parte, a pagar os valores reivindicados pelos ex-empregados. Passada essa fase, o juiz manda fazer os cálculos do valor da ação e cita a parte interessada, que sai em busca dos bens capazes de fazer jus à indenização.

“O outro lado vai recorrer e o juiz vai nomear o perito para desempatar o cálculo dos valores, mas o importante é articular os empregados para que eles ajudem a encontrar os endereços dos imóveis e oficiar os bancos para bloquear valores em conta”, diz Antônio Miranda.

Enquanto as vítimas brigam para reaver o dinheiro aplicado, quase todos os funcionários da Firv, empresa de Maioline já conseguiram sentenças determinando o pagamento de indenizações trabalhistas. Juntos, agentes da Firv, que ajudaram Maioline a vender cotas de investimentos, devem conseguir algo em torno de R$ 2 milhões em indenizações, sem contar juros e correção monetária. Um dos ex-empregados pleiteia receber sozinho R$ 400 mil.



Conta no Banco do Brasil de Araçuai

Segundo Antonio Miranda, os ex-empregados da Firv suspeitam da existência de R$ 1 milhão em conta aberta em nome de Comercial Maioline Ltda. em agência do Banco do Brasil em Araçuaí, município no Vale do Jequitinhonha.

 

Eles desconfiam ainda da propriedade de um resort, na praia do Forte em Alcobaça, na Bahia, onde  moraram por bom tempo, Iany Márcia Maioline, irmã de Thales Maioline e seu pai, Iano Maioline.


Ela responde a processo como sócia minoritária na empresa, assim como Oséias Marques Ventura, amigo do empresário.

“Os agentes da Firv não tinham consciência do golpe. A maioria deles era colega de Thales em uma mineradora e não tinha nem curso superior, não tinha nem cabeça para montar um esquema de fraude desse porte”, garante o advogado.

 

Segundo ele, muitos ficaram sem nada depois que a empresa quebrou e uma das assistentes vai ganhar somente R$ 3,5 mil na ação trabalhista. Ela teria sido despejada da casa onde morava e trabalha atualmente como atendente de telemarketing.