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14/07/2012 - 12:53 - Fonte: Jornal Estado de Minas

Pedras estão no lugar de água, nos rios do Vale do Jequitinhonha

Hoje, quando chove muito, a água corre por uns oito dias e depois seca de novo. Só restaram pedras”, conta o aposentado Clemente Ferreira de Souza, de 69 anos, enquanto caminha no leito seco ao lado do filho, o também agricultor Adevaldo Pereira Ferreira de Souza, de 45.

Foto: Luiz Ribeiro Pedras estão no lugar de água, nos rios do Vale do Jequitinhonha
No leito seco do Jurucutu, zona rural de Salinas, Clemente e Adevaldo, pai e filho, já não sabem como vão manter a plantação

Se Minas tem cidades que foram privadas de seus rios pela construção de hidrelétricas, caso de Aimorés, no Vale do Rio Doce, outras viram seus cursos d’água sumir lentamente devido à degradação

 

. É o caso de Salinas, no Norte do estado.

 

Segundo a prefeitura local, pelo menos oito rios do município que antes tinham água o ano inteiro praticamente desapareceram

 

Outros ainda correm, mas com vazão muito reduzida. “Acredito que a falta de preservação das nascentes foi a responsável. A região sofreu muito com o  desmatamento para a monocultura do eucalipto na década de 1970”, afirma a engenheira ambiental Geisa Batista, da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente.

 

A titular da pasta, Maria Helena Silva, alerta que os mananciais e todo o ecossistema de municípios da região correm risco de danos maiores ainda, por causa dos projetos de extração do minério de ferro que estão sendo instalados no Norte do estado.



Na zona rural de Salinas não é difícil constatar o resultado que a exploração sem critérios já produziu. Ele aparece sob a forma de leitos vazios, tomados por areia ou pedras.

 

É a situação do Rio Jurucutu, na localidade homônima. “Esse rio corria cheio o ano inteiro.

 

Hoje, quando chove muito, a água corre por uns oito dias e depois seca de novo. Só restaram pedras”, conta o aposentado Clemente Ferreira de Souza, de 69 anos, enquanto caminha no leito seco ao lado do filho, o também agricultor Adevaldo Pereira Ferreira de Souza, de 45.

 

No fundo da casa de Clemente, uma prova de que a fauna do rio mudou: entre as pedras do leito que já correu caudaloso e cheio de peixes, apareceu um ninho de urubu.

 

Com a seca, clemente abriu uma cacimba no leito para retirar água e manter a plantação de hortaliças. Porém, o poço também secou. “Agora, não sei como fazer. O jeito vai ser parar com tudo”, lamenta.



Só Deus



O Rio Vacaria, que corta vários municípios da região do Vale do Jequitinhonha, já foi considerado caudaloso.

 

Hoje seu volume diminuiu muito com o assoreamento. Em vários trechos, só se destacam as pedras e bancos de areia.

 

É assim nos fundos da propriedade de Graziano Mendes Spindola, de 58, no município de Fruta de Leite. “Já teve muita água. Agora, só Deus para fazer o Vacaria voltar a correr como antes”, acredita.

 

Sua vizinha, a agricultora Celsina Pereira de Souza, de 43, que mora na outra margem, já no município de Padre Carvalho, culpa o plantio de eucalipto. “O medo agora é de secar de vez. Aí, vamos ter que sair daqui”, preocupa-se

.

A empresa Sul Americana Metais (SAM), do Grupo Votarantin, anunciou que vai construir uma barragem no rio, com investimento de R$ 80 milhões, para garantir a oferta de água para um mineduto, visando o escoamento do minério de ferro.

 

Moradores têm esperança de que isso possa melhorar a vazão no leito.  (LR)