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Notícias » Sociedade

18/10/2016 - 11:55 - Fonte: Andrea Ramal/G-1

Moda na internet, jogo da asfixia preocupa mundo todo

É urgente que as escolas coloquem o assunto na pauta e orientem adolescentes e familiares.

Foto: arquivo pessoal/familia Moda na internet, jogo da asfixia preocupa mundo todo
Gustavo Detter tinha 13 anos e morreu após ter perdido um jogo online

Brincadeiras perigosas transmitidas em vídeo são a nova moda da internet. O caso do menino Gustavo Detter, de 13 anos, morto em casa, no litoral de São Paulo,  depois de participar do “jogo da asfixia” ou “choking game”, chamou a atenção do Brasil, mas a prática tem causado vítimas fatais em vários países do mundo. Consiste no desafio de provocar a asfixia até desmaiar, para experimentar sensações fortes.

 

No Canadá, há quatro meses, um menino de 12 anos morreu em circunstâncias similares. Os Estados Unidos contabilizaram 672 mortes nos últimos dez anos, o dobro da década anterior. Na França, que registra dez mortes por ano em função do “choking game”, já existe até uma associação de pais vítimas do jogo.

 

 

Gustavo posa com a mãe para foto; Menino morreu após desafio online (Foto: Reprodução / Facebook)

 

Atividades de risco sempre fascinaram os adolescentes. A diferença agora é que, mais do que a adrenalina, a graça está em gravar as próprias façanhas e postar na internet. Várias outras brincadeiras perigosas estão viralizando na web, como o “balconing” (filmar-se pulando de uma varanda a outra) ou o “planking” (fotografar-se em lugares altos, com o corpo em equilíbrio instável). Muitos pais desconhecem essas tendências.

 

 

Pular de uma varanda para outra esta entre as modas de risco

 

Não há uma única causa para tais condutas. Os adolescentes têm menos percepção do perigo e pouco autocontrole. Também há os que imitam os mais velhos, no intuito de ser aceitos pelo grupo.

 

Assim como no bullying, a plateia cumpre um papel nocivo, estimulando os jogadores a assumir riscos cada vez maiores. A isso se soma o fato de que as crianças passam muito tempo sozinhas, sem adultos que coloquem limites, sem orientação nem supervisão.

 

Nem sempre é possível imaginar que os filhos participem desses jogos, então vale até mesmo observar sinais físicos, como marcas no pescoço, ou detectar se a criança tem mexido com cordas ou cintos. Em alguns casos, pode haver traços de depressão.

 

A pergunta de fundo é: o adolescente coloca a própria vida em risco por ignorância, ou porque nem se importa? É urgente que as escolas coloquem o assunto na pauta e orientem adolescentes e familiares.

 

A medida preventiva mais imediata é monitorar o que os filhos fazem na web, até para conhecer melhor o que pensam, como se expressam, com quem se relacionam, a quais práticas aderem. Mas a linha que separa o monitoramento da invasão de privacidade é tênue. Tudo isso mostra que ainda temos muito a aprender nesse complexo desafio de ser pais na era do ciberespaço.