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12/03/2012 - 19:16 - Fonte: Agência Minas

Produtores de Cachoeira de Pajeú investem em melhoramento genético do rebanho bovino

O melhoramento genético do rebanho nem sempre é possível para pequenos produtores. O alto custo é um dos principais entraves. Em Cachoeira de Pajeú, município do Vale do Jequitinhonha, não é diferente.

O melhoramento genético do rebanho nem sempre é possível para pequenos produtores. O alto custo é um dos principais entraves. Em Cachoeira de Pajeú, município do Vale do Jequitinhonha, não é diferente. Porém, o Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR) está ajudando a mudar essa realidade. A iniciativa viabilizou o acesso dos pequenos produtores a touros puros-sangues, o que, a longo prazo, irá melhorar o padrão genético do rebanho bovino do município.

 

O projeto Melhoramento Genético da Bovinocultura de Cachoeira do Pajeú teve início em 2009. Essa foi uma das ações escolhidas como prioridade pelos agricultores familiares do município. Com recursos do PCPR, a Associação Nova Esperança comprou touros puros-sangues para serem utilizados como reprodutores e os transferiu para seus associados. Em contrapartida, esses membros doaram à instituição os bezerros filhos desses touros. Os animais meios-sangues foram repassados para pequenos produtores que não pertencem à associação e que deram em troca bezerros de linhagem inferior. Com o dinheiro da venda desses bezerros, a associação irá comprar touros puros-sangues e dar continuidade ao projeto.

 

Ao todo, a Associação Nova Esperança adquiriu 16 touros das raças gir e guzerá. Em fevereiro deste ano, os bezerros meios-sangues, filhos desses touros, foram entregues a 20 produtores que não são membros da associação.

 

Para participar do PCPR, os produtores contaram com a ajuda dos extensionistas do Escritório Local da Emater-MG. A equipe da empresa participou ativamente das reuniões para identificar as prioridades do município. Os técnicos da Emater ficaram responsáveis pela elaboração do projeto de Melhoramento Genético. A equipe acompanhou todo o processo de implantação e presta assistência às famílias beneficiadas.

 

De acordo com o extensionista da Emater-MG Terence Salomão do Amaral, em cinco anos serão disponibilizados cerca de 100 touros com melhor padrão genético. “Nós esperamos que, com essa ação, em dez anos o melhoramento genético inclua cerca de 40% do rebanho do município”, diz o extensionista.

 

Além de um rebanho de mais qualidade, isso significa mais renda para os produtores. Em média, um bezerro de linhagem inferior é comercializado no município por R$ 600. Já um bezerro com boa genética chega a custar R$ 1.000. “A partir do projeto, os produtores começaram a se interessar pelo melhoramento genético do rebanho. Algo que não era comum entre eles”, diz o extensionista Ataliba Mendes de Oliveira Neto.

 

Jesuíno Neto Dias é um dos associados que participa do projeto. Ele recebeu um touro puro-sangue, que gerou 10 bezerros e 12 novilhas. “Por meio do PCPR, vamos conseguir fazer o melhoramento genético do nosso rebanho de maneira prática e sem gastar muito”, afirma Neto Dias. Segundo o pecuarista, as novilhas começarão a produzir leite daqui a dois anos. “Em média, devem produzir cerca de 50% mais do que as vacas que tenho hoje na propriedade. Isso vai significar um aumento considerável da minha produção de leite”, diz o produtor. Neto Dias também espera fazer bons negócios com a venda dos bezerros meios-sangues. “Esses animais são mais valorizados no mercado, pois são mais resistentes a doenças e mais fortes”, explica.

 

O Programa de Combate à Pobreza Rural é uma iniciativa do Governo de Minas com apoio do Banco Mundial. Seu objetivo é desenvolver ações para aliviar a pobreza e buscar soluções para desenvolver as comunidades que o programa abrange, financiando projetos comunitários que podem ser produtivos, sociais ou de infraestrutura básica. O PCPR é coordenado pela Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas (Sedvan), por meio do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene). O projeto beneficia as comunidades rurais e urbanas organizadas em grupos de interesses comuns, trabalhadores e pequenos produtores rurais, artesãos, grupos de pescadores, associações de donas de casa, etc.