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Notícias » Saúde

12/04/2017 - 11:21 - Fonte: Gazeta de Araçuai/EM

Médicos em Araçuai paralisam atividades a partir do dia 17 de abril

Diante da situação preocupante de 26 unidades hospitares do estado, Conselho Regional de Medicina orienta médicos a paralisarem suas atividades. Em Araçuai, médicos estão sem receber há 4 meses. Hospitais culpam governo do Estado pelo atraso nos repasses.

Foto: Gazeta de Araçuai Médicos em Araçuai paralisam atividades a partir do dia 17 de abril
Hospital São Vicente de Paula , atende pacientes de pelo menos seis municípios vizinhos a Araçuai

 

O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) cobrou nesta terça-feira (11) que autoridades do setor de saúde tomem providências para reverter a situação de precariedade em 26 hospitais do estado e outras unidades de atendimento, a maioria em municípios do interior, sob pena de orientar médicos a paralisarem as atividades nessas unidades.

 

O alerta do órgão tem como base queixas enviadas por profissionais sobre dificuldades de atendimento relacionadas a atrasos de pagamentos de funcionários, problemas de infraestrutura, falta de equipamentos, insumos, medicamentos, equipes desfalcadas, entre outros complicadores.

 

 

A situação, de acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina, Fábio Guerra, é resultado de uma grave crise financeira no setor em Minas Gerais e que tem resultado em sérias implicações para a assistência em saúde na rede pública. Segundo ele, se o quadro se mantiver, hospitais e unidades de saúde importantes para o atendimento em Minas podem chegar a fechar as portas.

 

 

Médicos em Araçuai estão há 4 meses sem receber

 

 

Em Araçuai, no Vale do Jequitinhonha, seis médicos encaminharam à direção do Hospital São Vicente de Paulo, documento comunicando que a partir do dia 17 de abril, entrarão em greve. O hospital conta com o atendimento de 20 médicos, que estão com os salários atrasados.

 

 

“ Estamos há quase 4 meses sem receber. Não voltaremos às nossas atividades, enquanto não houver o acerto por parte da direção do hospital, de todos os atrasados”, afirmam os médicos.

 

 

No documento entregue à direção do hospital no dia 29 de março, os médicos afirmam que serão mantidas as internações hospitalares que envolvam risco de vida a curto e médio prazo. As internações que não se encaixarem nestes critérios, deverão ser encaminhadas ao hospital mais próximo que se prontificar em absorver as demandas.

 

Os médicos destacam no documento que para exercer a medicina, com honra e dignidade, o profissional precisa ter boas condições de trabalho, além de ser remunerado de forma justa e receber pagamento em dia.

 

Assinam o documento os médicos Aquiles Almeida Sá, Bruna Chaves Sá, Edmir Sérgio Botelho Júnior, Hitter Pereira Neto, José Airton Jardim, Kamila Bessa Rievrs, Lorena Ursine Silva, Paulo Henrique Silveira e  Sâmya Esteves Cardoso.

 

Todos são plantonistas do hospital. A direção informou que  a secretaria de Estado da Saúde de MG repassa mensalmente para o hospital R$ 100 mil para pagamento dos plantões.Cada plantão custa em média

 

A direção do Hospital São Vicente  responsabilizou a Secretaria de Estado da Saúde, pelo atraso no repasse dos recursos . 

 

Outros hospitais

 

 

Hospital da Baleia é um dos filantrópicos de Belo Horizonte que passa por dificuldades e está na lista do CRM-MG (foto: Beto Novaes/EM

 

 Em Belo Horizonte, quatro hospitais constam na lista, embora estejam em situação menos grave que instituições do interior.



Um dos casos mais crônicos é o do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Caratinga, no Vale do Rio Doce. A unidade já foi notificada pelo CRM da regra, tratada tecnicamente como intervenção ética. Na prática, a medida é uma suspensão da atividade profissional médica, de caráter provisório ou definitivo, aplicada excepcionalmente pelo órgão, que alega ser esta uma ferramenta para a proteção da boa prática médica e do direito à saúde do cidadão.

 

 

Santa Casa de Misericórdia de BH acumula dívida e também tem dificuldades para atender a população (foto: Jair Amaral/EM/

 

O presidente do Conselho Regional de Medicina,  destacou que a situação é precária em todos os listados no documento divulgado nesta terça-feira (11) mas destacou, além do hospital de Caratinga, problemas na saúde pública de Silvianópolis, no Sul de Minas, onde funcionários não recebem desde outubro e também em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Neste último município, unidades de pronto-atendimento estão com atraso nos pagamentos e precarização do atendimento causado pela terceirização, e o Hospital Hélio Angotti  que sofre com desabastecimento de insumos e também com dívidas de até seis meses nos honorários, devido ao atraso de repasse pelo estado.



Em Uberlândia, a crise na saúde já resultou no fechamento de 200 leitos de internação, adulto e pediátrico, inclusive de UTI no Hospital Municipal e no Hospital das Clínicas. Gerou ainda péssimas condições de trabalho na rede pública municipal e nas unidades de atendimento integrado.

 

 

Luta para manter as portas abertas



Dentre a lista de unidades de saúde que reportaram ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), quatro são de Belo Horizonte – Santa Casa de Misericórdia, Hospital Sofia Feldman, Hospital da Baleia e Hospital João XXIII. À exceção deste último, os três primeiros são filantrópicos e padecem de uma crise financeira sem precedentes. Ainda assim, experimentam, segundo o CRM, situação pouco mais confortável do que instituições do interior, que lutam para manter as portas abertas à população.



Em Caratinga, por exemplo, a diretora administrativa do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, Suély Pereira de Souza, confirmou que a unidade já foi notificada da interdição ética pelo CRM e que o prazo para correção dos problemas expirou na semana passada. Desde então, uma comissão formada pelo governo do estado, Secretaria Municipal de Saúde, Ministério Público de Minas Gerais e entidades de classe passou a assumir a gestão do hospital com o objetivo de buscar alternativas para a crise que a instituição enfrenta. 

 

 

Nota do governo de Minas



O governo de Minas, um dos entes federados que mantêm atrasos no repasse de recursos, informou por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), que tem contratos com 103 hospitais em Minas. E que os demais serviços são contratados pelos municípios. A secretaria reconheceu a dificuldade financeira de alguns hospitais e também de fazer alguns repasses, pois, “como é de conhecimento da sociedade mineira, o estado passa por uma crise financeira”, diz a nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão, destacando ainda que “todos os esforços hoje são concentrados na busca por meios de equacionar essas questões”.

 

Segundo a pasta, o acompanhamento das condições das unidades será mantido, no sentido de garantir o acesso da população à assistência à saúde pública. O SES afirmou ainda que o financiamento do Sistema Único de Saúde é tripartite, ou seja, de responsabilidade dos três entes – município, Estado e União.

 

Em nota encaminhada ao jornal Gazeta, a Secretaria de Saúde informou que  o último repasse ocorreu no dia 27 de dezembro e foi relativo à competência de novembro de 2016. Os pagamentos das competências de dezembro de 2016 e janeiro de 2017 já foram solicitados e aguardam disponibilidade financeira para serem efetivados”, finaliza a nota.

 

 

 

Instituições de saúde com dificuldades de atendimento notificadas ao CRM-MG



» 1. Araçuaí
Hospital São 
Vicente de Paula



» 2. Belo Horizonte
Santa Casa de Misericórdia
Hospital Sofia Feldman
Hospital da Baleia
Hospital João XXIII



» 3. Brasília de Minas
Servico de Hemodiálise do Hospital Nossa Senhora de Santana



» 4. Cambuí
Hospital Ana Moreira Sales



» 5. Caratinga
Hospital Nossa Senhora Auxiliadora



» 6. Cataguases
Hospital de Cataguases



» 7. Congonhas

Hospital Bom Jesus


» 8. Conselheiro Lafaiete
Hospital São José


» 9. Janaúba
Fundação Hospitalar


» 10. Juiz de Fora
Santa Casa


» 11. Montes Claros
Santa Casa

» 12. Ouro Preto
Santa Casa
 

» 13. Pará de Minas
Hospital Nossa Senhora da Conceição
 

» 14. Ribeirão das Neves
Hospital São Judas Tadeu
 

» 15. Sete Lagoas
Hospital Municipal
Hospital Nossa Senhora das Graças
 

 

» 16. Silvianópolis
Hospital e Maternidade Maria Eulália
 

» 17. Três Pontas
Hospital São Francisco
 

» 18. Uberaba
UPAS
Hospital Hélio Angotti
 

» 19. Uberlândia
Diminuição de 200 leitos de internação, adulto e pediátrico, inclusive de UTI no Hospital Municipal e no Hospital das Clínicas. Péssimas condições de trabalho na rede pública municipal e nas unidades de atendimento integrado.
 

» 20. Viçosa
Hospital São João Batista 
Hospital São Sebastião

 

 

Gazeta de Araçuai, com Jornal Estado de Minas