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19/04/2017 - 19:38 - Fonte: EM

Filme rodado em Diamantina, desmistifica o herói Tiradentes

O filme, que concorreu ao Urso de Ouro do 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro passado, estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH,

Foto: Fotos: Imovision/Divulgação Filme rodado em Diamantina, desmistifica o herói Tiradentes
Júlio Machado interpreta Joaquim José da Silva Xavier no filme de Marcelo Gomes, gravado na região de Diamantina

Herói da Inconfidência ou um homem comum com ambições? Qual imagem deve ser preservada pela história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que morreu em 21 de abril por lutar pela Independência do Brasil? No colégio, ensinam que ele foi o grande líder e o único sacrificado entre os Inconfidentes Mineiros. Morreu como um mártir.
 


Mas "Joaquim", filme dirigido por Marcelo Gomes e gravado em Diamantina e na Serra do Espinhaço, em Minas, mostra um homem totalmente diferente. Ou melhor, um homem comum, com ambições, amores, desejos, preconceitos e que, apesar de defender direitos, mantinha escravos e tinha desprezo pelos índios. Um alferes, com conhecimentos de dentista (por isso a alcunha de Tiradentes) que prendia ladrões de ouro das terras Coroa Portuguesa em Minas, mas que sonhava em enriquecer e ocupar um posto mais alto na tropa. Assim poderia comprar a escrava que amava, e torná-la somente sua amante.
 


Na ficção, o diretor quis mostrar um outro lado de Tiradentes. Do soldado ao revolucionário, seu envolvimento com os aristocratas e intelectuais que planejaram o movimento, mas que na verdade usaram a impulsividade do alferes para transformá-lo em "boi de piranha". Se alguém caísse na rebelião não seriam eles, os nobres, mas o pobre militar, que acabou decapitado, esquartejado e teve seus membros espalhados pelas Minas Gerais.
 



Marcelo Gomes, também roteirista do filme, usou e abusou da câmera na mão, acompanhando os personagens, o que incomoda em alguns momentos, principalmente quando a cena era feita em terrenos acidentados. O roteiro não se preocupa em dar uma sequência nos fatos, o que deixa às vezes a história um pouco confusa, com cortes e mudanças de cenas bruscas. Outro ponto que deixou a desejar foi o final, que precisava ter avançado um pouco mais na relação de Joaquim com os demais inconfidentes - ficou muito superficial, sem impacto.
 



Em compensação, a cena de abertura com narração de Joaquim sobre sua história, tendo como fundo a imagem da cabeça dele cravada num poste, debaixo de chuva ficou muito boa. Leva o expectador a achar que será mais um filme sobre o herói. Vai se surpreender e gostar. As falhas não comprometem a ideia do drama, que busca mostrar como surgiu o famoso personagem - de alferes dentista a político e revolucionário. E suas andanças em busca do ouro em terras mineiras no século XVIII. A produção foi feita em conjunto com Portugal e utiliza atores mineiros, como os do Grupo Galpão.
 



"Joaquim" é um filme didático, mostrando detalhes de como era a vida dos militares a serviço da Coroa, seus anseios, a busca pelo ouro, a disputa pelo comando, a relação com os escravos. Tudo isso passado no seco e árido Cerrado mineiro. Vai das cenas fortes e aceleradas aos momentos de lentidão (às vezes exagerados). O elenco dá um exemplo de belo trabalho de interpretação, principalmente Julio Machado, como Joaquim/Tiradentes, Isabél Zuaa, (a escrava Preta), Rômulo Braga (Januário), Welket Bungué (o escravo João) e Nuno Lopes (como Matias, o militar português).

 


O filme, que concorreu ao Urso de Ouro do 67º Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro passado, estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH, aproveitando as comemorações do 21 de Abril, Dia de Tiradentes. Vale a pena conferir.