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Notícias » Saúde

16/02/2018 - 11:45 - Fonte: Gazeta de Araçuai

Pacientes denunciam falta de medicamento em farmácia da prefeitura de Araçuai

Responsáveis pelo setor de Saúde acusam governos Estadual e Federal pela falta de repasses financeiros.

Foto: Gazeta de Araçuai Pacientes denunciam falta de medicamento em farmácia da prefeitura de Araçuai
Farmácia municipal está com estoque de medicamentos em baixa

 

 

Pacientes de Araçuai, no Vale do Jequitinhonha (MG) que precisam dos medicamentos de alto custo fornecidos pela prefeitura, reclamam da falta de remédios na farmácia da Políclinica Municipal. Muitos desses pacientes dependem do tratamento contínuo e diário para o resto da vida. O  coordenador da farmácia que distribui a medicação, Geraldo Magela de Sousa, admite que alguns  remédios estão em falta e justifica a falta de recursos e de repasses financeiros por parte dos governos estadual e federal.“Muitas prefeituras estão vivendo o mesmo drama”, diz ele.

 

Estoque em baixa

 

A baixa nas prateleiras da farmácia da prefeitura, tem feito muita gente sair de mãos vazias

 

Ter nas mãos uma receita e autorização para retirada de medicamentos não tem sido suficiente para  estes pacientes que buscam por muitos dos remédios que integram o programa Farmácia de Todos, do governo de Minas. Nesse setor, que prevê a entrega das fórmulas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado, atrasos de fornecedores nas entregas e licitações fracassadas têm deixado os estoques em falta para 18% dos medicamentos, indicados para mais de 50 doenças.

 

A ausência desses recursos impacta diretamente no atendimento à população, já que sem o dinheiro necessário, não é possível regularizar os estoques de medicamentos de forma permanente. 

 

 

Paciente que necessita de medicamentos controlados diz que já está cansada de procurar a prefeitura e não encontrar ajuda.

 

 

O problema, que se arrasta sem solução pela prefeitura e pelo governo do Estado, coloca em risco a saúde das pessoas- a maioria carente- É o caso da dona de casa Ivani Caldeira Miranda, de 44 anos, mãe de 5 filhos, entre eles uma menina de 9 anos e um rapaz de 27 anos, que é dependente químico.

 

Moradora do bairro Arraial, ela conta que sofre de artrose, já passou por quatro cirurgias, faz uso de muletas e necessita tomar  dois comprimidos por dia para evitar tromboembolismo. Dona Ivani faz ainda uso de remédios controlados para depressão. “ A gente não acha nem Dipirona na farmácia da Policlinica. Estou cansada de procurar a prefeitura na busca de solução”, disse ela.

 

A dona de casa recebe cerca de R$ 900 reais de auxílio doença. “ Gasto tudo comprando minha medicação e do meu filho que também precisa de remédios que são caros”, acrescentou a mulher.

 

 

Sem a medicação,  homem com síndrome de abstinência pulou muro de casa e quebrou os joelhos. Ele é paciente do Caps.

 

 

 

Falta de medicamentos atinge pacientes do CAPS

 

CAPS-Araçuai atende cerca de 600 pacientes de 6 municípios vizinhos. Coordenadora não foi encontrada para falar sobre a falta de medicamentos .

 

Dona Ivani Caldeira, convive há  seis anos  com o drama do filho que é dependente de álcool e drogas. No inicio do ano ela gravou um vídeo mostrando o sofrimento do rapaz de 27 anos, pai de duas meninas menores.. “ Ele fica nu, sai para a rua e é agredido, Não sei mais o que fazer. Quando toma a medicação, se transforma em outra pessoa, trabalha e ajuda o irmão a cuidar da casa”, afirma.

 

 

“ Ele faz tratamento no Caps- Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas- mas não tem o remédio que ele precisa tomar, o Haldol- um antipsicótico  para tratamento de esquizofrenia”, revela a mãe. Ela disse ainda que sem a medicação, o filho surta, aumenta a ansiedade e foge para beber e fazer uso de crack.

 

Recentemente, com síndrome de abstinência, ele pulou o muro da casa do irmão, com quem mora atualmente e fraturou  os dois joelhos. "Não ficou  com o gesso nem um dia e retirou tudo. Agora está fazendo fisioterapia. Quando ele toma os remédios, não dá nenhuma problema”, disse a mãe.

 

Secretária da Saúde que também é vice-prefeita não foi localizada para comentar o problema.

 

De acordo com os médicos ouvidos pela reportagem, a falta dos repasses vem comprometendo os programas de Atenção Primária, Assistência Farmacêutica, Vigilância em Saúde, entre outros.

 

Nem o prefeito de Araçuai,  Armando Paixão (PT) e a vice-prefeita Rita Capdville, atual secretária municipal de Saúde, foram localizados para falar sobre o assunto. Ambos são médicos. Procurada pela reportagem, a assessoria de Comunicação da prefeitura também não respondeu aos questionamentos.

 

Para agravar ainda mais a situação,  os médicos do único hospital  de Araçuai - o São Vicente de Paulo - que atende municípios vizinhos, estão há mais de um mês em greve por falta de pagamento dos salários.

 

 

Sérgio Vasconcelos

Repórter