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07/08/2018 - 13:43 - Fonte: Gazeta de Araçuai

Copasa provoca acidente ambiental em Araçuai descartando esgoto em rio.

Responsável pelo escritório em Araçuai disse que não soube de nada e culpou população por procurar a imprensa para reclamar; ao invés de se dirigir aos orgãos competentes. Acidente provocou morte de peixes e afetou qualidade do Rio Araçuai de onde é coletada água para abastecimento da cidade.

Foto: Gazeta de Araçuai Copasa provoca acidente ambiental em Araçuai descartando esgoto em rio.
Milhões de litros de esgoto foram parar no leito do Rio Araçuai, na cidade do mesmo nome.

 

 

Quem deveria zelar pela preservação das águas e seus mananciais foi exatamente quem provocou um acidente ambiental, na última semana em Araçuai, no Vale do Jequitinhonha (MG).

 

Moradores da região central da cidade acusam a Copasa-Companhia de Saneamento de Minas Gerais-  pelo vazamento de milhões de litros de esgoto   “ in natura “ de uma elevatória da empresa, provocando a morte de peixes no Córrego Calhauzinho, afluente do rio Araçuai; um dos mais importantes da região e um acidente ambiental que pode levar décadas para ser reparado.

 

 

Qualidade da água antes de receber o esgoto da elevatória.

 

 O vazamento começou na sexta-feira (3)  a partir de uma  estação elevatória   da empresa instalada às margens do Calhauzinho,  na entrada do bairro Corredor e usada para a captação de esgotos de cerca de 5 bairros da cidade. O vazamento prosseguiu até a última segunda-feira (6)   causando prejuízos ao meio ambiente e deixando um rastro de destruição.

 

 

Morte de peixes já tão raros no Córrego, revoltou moradores.

 

Em um percurso de pelo menos 600 metros, antes do Córrego desaguar no rio Araçuai;  é  possível  sentir o mau cheiro e ver a água completamente tomada pelo esgoto e vários peixes mortos por falta de oxigênio e outros agonizando com dificuldades para respirar.

 

“Eles começaram a subir para a flor da água, como se tivessem caçando ar. Depois começaram a boiar. A gente ligou para os órgãos competentes mas não conseguimos falar com ninguém . Um absurdo.o que aconteceu aqui. Acreditamos que o Ministério Público deve agir e punir a Copasa por este desastre”  destacou o pintor João Alves Jardim, de 49 anos.

 

 Ele contou que faz  parte de um grupo que organiza o campeonato de futebol de  várzea da cidade que ocorre até outubro, no Campo às margens do córrego. “ Fui instalar a mangueira para puxar a água e molhar o campo, quando me deparei com a situação. O que era cristalino, se transformou num tapete preto de esgoto”; disse ele. 

 

 

 

Córrego Calhauzinho se transformou em um imenso tapete de águas negras e poluídas após negligência da Copasa.

 

NADA SEI; NADA VI

 

O encarregado de Sistema da Copasa em Araçuai, Milton Gomes de Oliveira disse que não viu nada e que não existe nenhuma reclamação ou registro de lançamento de esgotos no Córrego. “ Não sei explicar o que aconteceu. Estou tomando conhecimento do fato pela imprensa. Pode ter sido falta de energia elétrica na elevatória provocando a paralisação da bomba”, disse Gomes. No entanto, moradores da região disseram que não registraram nenhum pico de energia nos dias em que foram despejados milhares de litros de esgoto no córrego.

 

Milton Gomes lamentou que a população tenha recorrido à imprensa para reclamar; ao invés de procurar os órgãos responsáveis.Ele disse ainda que esteve no local no inicio da semana e que  está tudo  normal, tudo está resolvido. 

 

Não está. O rastro de destruição deixado pelo vazamento; matou cardumes de peixes; afugentou outros; causou impactos ambientais graves e prejudicou  animais e  famílias de ribeirinhos que vivem nas proximidades,  além de afetar o Rio Araçuai; de onde sai a água usada pela Copasa para abastecer a população da cidade. " Talvez o certo para ele seja, como dois e dois são cinco", ironizaram moradores da região central da cidade.

 

 

A pergunta que fica é: Quem é que vai pagar por isto?” Os ribeirinhos pretendem entrar com uma ação civil pública contra a Copasa que conta com uma ETE-Estação de Tratamento de Esgotos- na cidade há pelo menos uma década.


 

Sérgio Vasconcelos

Repórter