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02/11/2018 - 11:09 - Fonte: Gazeta de Araçuai

Morre em Araçuai, aos 83 anos, a artesã Zefa

A artesã possui peças nas mãos de colecionadores em vários países, como França, Itália, Alemanha, Holanda, Suíça, Estados Unidos e, claro, no Brasil

Foto: Lori Morre em Araçuai, aos 83 anos, a artesã Zefa
A artesã já estava bastante debilitada por problemas de saúde e da visão.

Será sepultado em Araçuai, no Vale do Jequitinhonha, nesta sexta-feira (2) , o corpo da artesã, Josefa Alves dos Reis, popularmente conhecida como Mestra Zefa, Ela morreu  aos 83 anos, na manhã de quinta-feira  (01/11) Dia de Todos os Santos. Zefa  era considerada uma das mais significativas artesãs do Vale do Jequitinhonha (MG) . Há pelo menos 5 anos ela já vinha enfrentando problemas de saúde e da visão.

 

O que a natureza do Vale fornecia, Zefa recriava em forma de arte. Além de escultora, Zefa era ainda contadora de casos e benzedeira.

 

A artesã possui peças nas mãos de colecionadores em vários países, como França, Itália, Alemanha, Holanda, Suíça, Estados Unidos e, claro, no Brasil. Mesmo sendo uma das mais importantes e premiadas artistas do Vale do Jequitinhonha, Zefa sempre viveu de maneira simples, nunca se preocupou em acumular posses. Sempre que vendia uma peça, preferia comprar um bom pedaço de carne e festejar com familiares e amigos. Desde a morte de Francisca, Zefa quase não trabalha mais a madeira, mas ainda orienta seus discípulos e recebe bem os visitantes, dividindo suas histórias e sabedorias acumuladas ao longo da vida.

 

Retirante

A  mestra Zefa, nasceu em Poço Verde, região fronteiriça entre os estados de Alagoas, Sergipe e Bahia em 1925. Quando seu irmão mais velho, em 1958, foi construir Brasília em busca de uma situação melhor para família, viu-se em completa miséria, pois o irmão nunca mais deu notícias e nem retornou ao lar, ela então, como milhares de nordestinos, migrou para Minas Gerais ao lado da cunhada Francisca, que também não tinha uma profissão definida, em busca de uma vida melhor. . Eu fiquei aqui pelas terras de Minas Gerais com minha cunhada. Até que um dia ouvi falar em Araçuaí, aqui pras bandas de Teófilo Otoni, onde o povo contava que pedra preciosa nascia no chão das ruas. Cheguei aqui, a coisa não era bem assim e aqui estou  e vou morrer, conta dizia  Zefa  que fez quase de tudo na vida, mas foi na madeira que ela começou a talhar sua história.

 

 

Além de escultora, Zefa era contadora de casos e benzedeira.

Vida talhada com as mãos

 

A Zefa artesã não veio de repente, passou cerca de 10 anos de sua caminhada buscando sua verdadeira vocação que era a arte da escultura. Inicialmente trabalhava com uma mistura de barro, farinha de trigo e cinzas. Após três anos muito criativos, Zefa largou o barro por acreditar que estava prejudicando sua saúde. . Eu fiquei triste. Eu adorava o barro, conta. Zefa escolheu então a madeira, esculpindo com traços firmes e originais suas obras mais conhecidas e reconhecidas.

 

 

Gazeta de Araçuai