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08/10/2019 - 09:43 - Fonte: G-1/Gazeta de Araçuai

Nova lei protege ferrovias e estações de trens, em uso ou não, em MG

Norma publicada no Diário Oficial considera linhas e ramais ferroviários como de relevante interesse cultural para o estado. Lei ainda dificulta desmanche de ferrovias.

Foto: arquivo Nova lei protege ferrovias e estações de trens, em uso ou não, em MG
Antigo prédio da Bahia-Minas em Araçuai foi doado pela prefeitura para Centro Cultural de Araçuai mas está fechado.

As ferrovias e estações de trem em Minas Gerais, em uso ou não, agora estão protegidas por uma lei, sancionada no Diário Oficial do último sábado (5). Com a nova norma, as linhas e ramais ferroviários agora são considerados de relevante interesse cultural para o estado.

 

De acordo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na prática, além de valorizar o aspecto cultural das ferrovias, a nova lei dificulta a eliminação de trechos de ferrovias não utilizados.

 

Estação de Engenheiro Schnoor em Araçuai, foi restaurada.

O reconhecimento também se estende aos bens móveis e imóveis – edificações que abrigam antigas e atuais estações e vilas ferroviárias, além de rotundas, viadutos, pontes, caixas d’água, sinalizações, locomotivas e vagões – associados a linhas e ramais ferroviários e seus remanescentes, em qualquer grau de conservação.

 

O diretor da ONG Trem, André Tenuta, que participou do processo para a construção da lei, afirmou, que atualmente em Minas Gerais existem em funcionamento regular cerca de 2.500 quilômetros de ferrovias. Na época da privatização em 1996 eram cerca de 4.900 quilômetros; já no auge das ferrovias no país, na 1º metade da década de 60, Minas tinha cerca de 8.700 quilômetros de malha ferroviária.

 

“Foi um retrocesso brutal de linhas férreas e do transporte ferroviário que agente assistiu em Minas e no Brasil, desde a 2ª metade da década de 60”, avaliou Tenuta. Hoje, o estado conta com uma linha diária de passageiros, que é o Vitória-Minas; 4 linhas de turismo, com trechos pequenos, Ouro Preto-Mariana e São João Del Rei-Tiradentes, na Região Central, e duas no Sul de Minas, em Passa Quatro e em Soledade. Já os trens de carga transportam minério e grãos, segundo Tenuta.

 

Extinção da Bahia- Minas foi retrocesso para os Vales do Jequitinhonha e Mucuri

 

Inauguração da estrada de ferro em Araçuai, em 1942. Estrada ligava Araçuai a Ponta de Areia, na Bahia.

Os Vales do Jequitinhonha e Mucuri eram servidos pela estrada de Ferro Bahia Minas,  (EFBM)que ligava Minas ao  mar, no porto de Ponto de Areia; na Bahia.

Mergulhada em crise financeira nos anos 60, a EFBM  entrou na mira das estradas de ferro que o governo militar queria extinguir; o que foi feito em 1966.

 

Os motivos alegados foram desmatamento das margens para extrair madeira que alimentava as caldeiras, sem preocupação com o replantio; falta de manutenção das locomotivas; abertura da BR-116 (Rio-Bahia); isolamento e falta de integração com a malha ferroviária nacional; além da falta de interesse politico na defesa da estrada, entre outros.

 

A extinção da linha ferroviária trouxe grandes prejuízos econômicos para  os Vales do Jequitinhonha e Mucuri; aumentando ainda mais o isolamento da região.

 

Os trilhos, postes, fios, dormentes e pregos arrancados do chão foram levados para os fornos da Companhia Siderúrgica  Nacional (CSN).

 

O compositor Fernando Brant compôs a música Ponta de Areia. imortalizada na voz de Milton Nascimento. Em um dos trechos, ele lembra : Ponta de areia ponto final  Da Bahia-Minas estrada natural.Que ligava Minas ao porto ao mar.Caminho de ferro mandaram arrancar.Maria fumaça não canta mais.Para moças flores janelas e quintais.Na praça vazia um grito, um ai.Casas esquecidas viúvas nos portais