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03/04/2019 - 09:35 - Fonte: G-1

Presos constroem escola na laje de presídio e começam a ter aulas em Bocaiúva

Unidade prisional teve estrutura toda reformada pelos custodiados durante três anos; professores contratados pelo governo de Minas já começaram as aulas no local.

Foto: Divulgação Presos constroem escola na laje de presídio e começam a ter aulas em Bocaiúva
Aulas começaram a ser ministradas dentro de presídio em Bocaiuva

 

Entre os muros de um presídio, custodiados da unidade prisional de Bocaiuva, no Vale do Jequitinhonha (MG), trabalharam para transformar a própria realidade em que estão inseridos. Os presos assumiram a mão de obra de uma reforma na estrutura do local, que durou cerca de três anos. Além de melhorarem o prédio que já existia, eles construíram uma escola sobre a laje. Duas salas amplas, auditório para palestras e um espaço multiuso foram planejados na parte superior, e já começaram a receber professores contratados pelo governo de Minas; os profissionais ministram aulas de educação básica a qualquer nível de escolaridade.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP), a escola ocupa 500 metros quadrados e foi construída, exclusivamente, por cerca de 30 presos. O diretor-geral, Doglas Araújo, disse que um custodiado é engenheiro e assumiu o comando da obra. Duas estantes de livros foram levadas para o espaço, para os presos que quiserem exercitar o hábito de ler. Os 14 professores do estado, que foram contratados para dar aulas no presídio, se revezam entre todas as disciplinas, nos turnos da manhã e da tarde. Pelo menos 120 custodiados se matricularam, de 190 no total.

 

 

Ainda segundo Doglas Araújo, os reeducandos não são obrigados a estudar. Como incentivo, a cada três dias de estudo eles têm um dia de remissão da pena, assim como os detentos que prestam serviços durante o período de reclusão. Araújo observa que o clima dentro da unidade mudou depois da inauguração da escola, dia 11 de março.

“Muitos não tiveram possibilidade de estudo. Por um fator ou outro, ou desestabilidade familiar, não frequentaram escola. O clima mudou, a segurança do reeducando melhorou, porque os ânimos ficaram mais calmos. Se eles ficam ociosos, acabam ficando mais arredios. Ficam ansiosos, não têm nada para fazer. Quando são inseridas novas possibilidades dentro do presídio, é uma válvula de escape para eles. Eles tendem a ficar mais tranquilos e a relação com a segurança tende a melhorar”, explica o diretor-geral.

 

 

Obra foi toda construída pelos presos.

 

 

A reforma do presídio e construção da escola foi financiada através de verba pecuniária da 1ª Vara Criminal e de Execuções Criminais da Comarca de Bocaiuva, no valor de R$ 218 mil. O Conselho da Comunidade local teve a responsabilidade de administrar os recursos e realizar a compra de material, segundo a Seap. Os detentos atuaram nas funções de pedreiro, servente, bombeiro, eletricista, serralheiro e pintor. Depois dos serviços prestados, eles se tornaram alunos.

As aulas acontecem dentro da modalidade “Educação de Jovens e Adultos” (EJA). Os 14 professores que participam do projeto foram contratados através de uma parceria entre a SEAP e Secretaria de Estado de Educação. A escola dentro do presídio funciona como uma sede de uma escola que funciona no Bairro Nossa Senhora de Fátima, a Escola Estadual Gilberto Caldeira Brant.

 

Escolaridade e reinserção

 

O resultado prático da escola em funcionamento dentro do presídio é uma possibilidade de reinserção, de acordo com o diretor-geral da unidade. Doglas Araújo afirma que pelo menos 90% dos custodiados não terminou o ensino básico; apenas um tem ensino superior. Os presos encaminhados para o Presídio de Bocaiuva cometeram delitos na própria comarca ou nas cidades próximas.