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23/05/2019 - 11:32 - Fonte: Ascom/IFNMG

Trabalho premiado pelo IFNMG traz estudo sobre comunidade quilombola União dos Rosários

A pesquisa intitulada “A organização das comunidades quilombolas: um estudo sobre a comunidade quilombola União dos Rosários” conquistou o 1º lugar na área de Ciências Sociais no VIII Seminário de Iniciação Científica (SIC), realizado neste ano em Pirapora

Foto: divulgação Trabalho premiado pelo IFNMG traz estudo sobre  comunidade quilombola União dos Rosários
Cerca de 50 famílias vivem na Comunidade do Rosário, que pertence ao município de Virgem da Lapa (MG)

 

 

No Vale do Jequitinhonha, na cidade de Virgem da Lapa (MG), a comunidade quilombola União dos Rosários guarda um histórico de tradições e práticas culturais que foram estudados pelas alunas do 3º ano Mariluce Pereira de Jesus e Maria Cecília Caldeira Vieira, do curso integrado Técnico em Informática do IFNMG-Campus Araçuaí. A pesquisa teve duração de aproximadamente oito meses e contou com a orientação do professor Fabiano Rosa de Magalhães.

 

Apresentado no VIII Seminário de Iniciação Científica (SIC), realizado neste ano em Pirapora, o trabalho intitulado “A organização das comunidades quilombolas: um estudo sobre a comunidade quilombola União dos Rosários” conquistou o 1º lugar na área de Ciências Sociais.

 

 O orientador da pesquisa, que ministra no IFNMG as disciplinas de Sociologia, Sociologia Rural e Sociologia das Organizações, explica que o trabalho das alunas integra o projeto “A organização das comunidades rurais  tradicionais no Vale do Jequitinhonha”, o qual também está sob a sua coordenação.

 

O objetivo de resgatar os aspectos da cultura material e simbólica que fazem parte do processo constitutivo da comunidade é defendido pela autora Mariluce Pereira de Jesus, que pertence à referida comunidade União dos Rosários. “Apesar de fazer o curso de Técnico em Informática, tive o interesse em desenvolver esse trabalho porque sou dessa comunidade e, até então, fui a primeira dela a ter a oportunidade de fazer o ensino médio integrado ao técnico em um Instituto Federal” ”, analisa a estudante.

 

O professor Fabiano Rosa de Magalhães e a estudante Mariluce Pereira de Jesus, primeira autora da pesquisa

 

 

 

Olhar para a própria cultura

 

Mesmo sendo membro de uma comunidade quilombola, Mariluce teve que ler e estudar sobre os povos e comunidades rurais e tradicionais, além de fazer um levantamento bibliográfico acerca das comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha e, mais especificamente, sobre a comunidade União dos Rosários, que é mais conhecida popularmente como Comunidade do Rosário. Após essa etapa, as autoras conheceram de perto o local vivem  cerca de 50 famílias, que, segundo elas, ainda mantém aspectos do poder patriarcal.

 

“Um elemento que marca a comunidade é a presença de uma mangueira, lugar em que eram realizadas as cerimônias religiosas antes da construção da igreja. Como a comunidade é baseada no poder patriarcal, geralmente as mulheres ficam responsáveis pelo cuidado com as crianças e pelas tarefas domésticas, enquanto os homens, do cultivo de lavouras e criação de animais”, conta Mariluce.

 

Contudo, a rotina dessas famílias não estão reduzidas aos afazeres domésticos. Na comunidade, são realizados, anualmente, a Festa dos Tambozeiros e um leilão para arrecadação de recursos. A religião também é um elemento que marca a comunidade, que tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário.

 

De acordo com o estudo apresentado pelas alunas, os moradores da comunidade têm medo da descontinuidade dos valores culturais cultivados pelos quilombolas da Comunidade do Rosário. Entre os problemas, citados por Mariluce, estão o processo de emigração, busca de empregos em outros lugares e perpetuação das condições de subordinação