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03/10/2019 - 13:59 - Fonte: Gazeta de Araçuaí

Seca prolongada restringe uso de água do rio Araçuai

Com volume de água quase 92% inferior à média esperada para o período, o rio está com restrição hídrica até o final do mês, imposta pelo IGAM- Instituto Mineiro de Gestão das Águas).

Foto: Bruno Lages (capa) Gazeta de Araçuai ( internas ) Seca prolongada restringe uso de água do rio Araçuai
Ao longo dos anos, rio Araçuai vem sofrendo agressões humanas que ameaçam a sua existência.

 

Nos últimos quatro anos, a vazão do rio Araçuai, no Vale do Jequitinhonha (MG) chegou a níveis cada vez mais críticos. E junto com a seca severa que castiga a região, o leito do rio agoniza, com esgoto a céu aberto, a destruição das matas ciliares e nascentes, além dos efeitos provocados pela monocultura do eucalipto. “ Há locais do rio que se pode atravessar à pé”, lamenta Joner Tanure, que tem uma propriedade rural às margens do rio.

 

Em 2019, a situação é a pior dos últimos 20 anos. Com volume de água quase 92% inferior à média esperada para o período, o rio está com restrição hídrica, até o final do mês. E se não vierem chuvas significativas, a medida ainda pode ser estendida por mais tempo, conforme o Igam( Instituto Mineiro de Gestão das Águas).

 

Bacia do rio Araçuai vive seu pior momento, afirma o engenheiro Josias Gomes Ribeiro.

 

“A Bacia hidrográfica do Rio Araçuaí vive o seu pior momento nesse século com a severa estiagem e escassez hídrica no Rio Araçuaí e seus tributários”, observa o engenheiro Josias Gomes Ribeiro Filho, do Comitê de Bacia do Rio Jequitinhonha.

 

Espelho da situação dos rios mineiros, o Araçuai divide com outras quatro bacias a restrição de uso das águas. São elas, bacia do Suaçuí , composta pelos rios Grande, no Vale do Rio Doce, Santa Izabel, no noroeste de Minas; rio das Velhas, na região metropolitana de BH e o rio São Francisco, no norte de Minas, que também deságua no Jequitinhonha e tem o mesmo nome do Velho Chico. Ao todo, 92 municípios foram afetados pelas medidas restritivas do IGAM.

 

Como consequências da declaração de escassez, há reduções do volume de  captação para o abastecimento público, consumo humano e animal (20%); irrigação (25%); e indústria ( entre 30% a 50%).

 

Após a restrição, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (Semad) realiza fiscalizações para verificar o cumprimento da norma.

 

“A fiscalização dessa medida restritiva precisa chegar aos grandes  usuários. É preciso conhecer mais e melhor o impacto das vazões do Araçuaí com a monocultura de eucalipto em 100 mil hectares de ocupação e plantio no Alto Jequitinhonha”, destaca o engenheiro Josias Ribeiro.

 

 

Durante reunião em Berilo, Comitê de Bacia do rio Jequitinhonha, defendeu mais rigor na fiscalização ao uso das águas por parte das empresas de plantio de eucalipto instaladas no Alto Jequitinhonha.

 

No inicio do mês de setembro, durante reunião do  Comitê de bacia do Rio Jequitinhonha,  no município de Berilo, foi defendido que as grandes empresas de plantio de eucalipto situadas no Alto Jequitinhonha, principalmente nos municípios de Capelinha, Itamarandiba e Turmalina, paguem pelo uso das águas do Araçuai e que sofram mais rigor por parte dos órgãos fiscalizadores.

 

A crítica situação do rio Araçuai, também já foi alvo de audiência na  Assembléia  Legislativa de Minas, mas até o momento,  nenhuma medida efetiva foi tomada, além da restrição do uso da água. “ É preciso discutir a construção de pequenas barragens nos afluentes do rio e também uma solução para a barragem do Setúbal cujas águas estão deixando o rio Araçuai com alto índice de turbidez” lembra o deputado Jean Freire (PT) filho da região.

 

Já o deputado federal Igor Timo (Podemos) também filho da região, pediu interferência da ANA( Agência Nacional das Águas) para medidas enérgicas com vistas a preservar a Bacia do rio Jequitinhonha.

 

Sérgio Vasconcelos

Repórter na Gazeta de Araçuai com Jornal Metro (BH)