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26/10/2019 - 17:10 - Fonte: Gazeta de Araçuai

Protesto e defesa de barragens marcam debate sobre degradação do rio Araçuai

Encontro que durou 4 horas, reuniu lideranças políticas e da sociedade civil na Câmara de vereadores em Araçuai.

Foto: Mário Santos (Dudu) Protesto e defesa de barragens marcam debate  sobre degradação do rio Araçuai
Auditório da Câmara ficou completamente lotado por moradores das regiões banhadas pelo rio Araçuai.

 

Pelo menos 250 pessoas participaram na tarde dessa sexta-feira (25) do I Encontro do Marco Regulatório do Saneamento Básico e revitalização do Rio Araçuai, realizado na Câmara de vereadores, em Araçuai, no Vale do Jequitinhonha  (MG), com a presença  de deputados, prefeitos, vereadores,  estudantes, professores, donas de casa, representantes de movimentos sociais e de órgãos governamentais como a  ANA ( Agência Nacional de  Águas) , IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), COPASA, COPANOR , Funasa, UFVJM, IDENE  e Denocs-Departamento Nacional de Obras contra a Seca.

 

 Deputado federal Geninho Zuliani do DEM de São Paulo.

 

O encontro serviu  também para o deputado  federal por  São Paulo , (DEM), Geninho Zuliani, esclarecer  o projeto do marco regulatório (Lei 3261/19 ) que estabelece um novo conjunto de regras para o saneamento básico no Brasil e abre caminho para a exploração desses serviços pela iniciativa privada, estimulando  a livre concorrência para empresas explorarem os serviços de água e esgoto. O deputado é o relator.

 

tCoral da Comunidade Quilombola do Pega, de Virgem da Lapa se apresentou antes do início dos trabalhos.

 

Os debates, que começaram por volta das 15 horas, entraram pela noite adentro e duraram 4 horas.

 

Prefeitos das cidades afetadas pela degradação do rio Araçuai marcaram presença.

 

Houve protesto de manifestantes indignados com a falta de projetos de recuperação da bacia hidrográfica do Jequitinhonha e pela concessão de licenças para uso da água para empresas de plantio de eucalipto . As empresas Copasa e Copanor, também foram criticadas. O plenário da Câmara estava lotado. Havia gente por todos os lados, sentada nas escadas, em pé e fora do prédio. Na abertura, foi exibido um pequeno documentário sobre a situação do rio, com depoimento de ribeirinhos.

 

Mesmo diante dos  discursos acalorados, a palavra de ordem foi sem dúvida a defesa pela  construção de barragens. “Há tempos estamos sabendo que o rio está morrendo Dá vontade de chorar. Todo mundo sabe do problema. Queremos a solução e a solução é a construção de barragens. Queremos saber se vai ou não fazer”, afirmou Adhemarzinho, prefeito de Itinga.

 

 

Orgãos públicos, entidades ambientais e população, precisam conhecer diagnóstico da bacia do Jequitinhonha para saberem que rumo tomar-diz Messias Henrique do Movimento SOS- Rio Araçuai.

 

O rio Araçuai  passa por 19  municipios e abastece 23 . É um dos principais afluentes do Jequitinhonha, e está por um fio.

 

Ocupações irregulares, com supressão de matas ciliares, falta de saneamento e de reuso da água, presença de lixões e aterros, além da mineração e desaparecimento de afluentes importantes, provocaram uma das maiores crises hídricas já vistas na região.  Várias localidades já vivem o dilema do racionamento de água, principalmente na zona rural.” A situação é dramática”, afirmou Josias Ribeiro, do Comitê de Bacias do Jequitinhonha. Para ele, é importante a construção de barragens no rio Capívari, Fanado e Água Suja, nos municípios de Berilo e Minas Novas e no Gravatá, em Novo Cruzeiro. Todos afluentes do Araçuai.

 

 

Um dos idealizadores do encontro, deputado federal Igor Timo, do Podemos, cumprimenta o deputado estadual Jean Freire (PT).

 

ESTAMOS NA MESMA LAMA

 

Manifestantes da plateia denunciaram que empresas chegam à região para explorar as riquezas minerais e fazer plantio de monoculturas, destroem os recursos hídricos e não são responsabilizadas. “ Que exijam delas medidas compensatórias”, afirmou uma mulher no momento da fala do representante da Agência Nacional de Águas (ANA), Rossini Ferreira, perguntando a ele porque a ANA não multava as grandes reflorestadoras de eucalipto. “ Não sou fiscal. Multa não resolve. Todas as regiões possuem problemas ambientais graves.Estamos todos na mesma lama. Os rios estão com as matas ciliares detonadas. Os proprietários rurais precisam ser conscientizados a colaborar. A ANA ajuda a recuperar as nascentes. Temos de reflorestar.Acabou a época de cada um colocar a culpa no outro. Somos todos culpados”, disse ele, informando que a agência nunca recebeu um projeto de recuperação ambiental dos rios da região do Jequitinhonha.

 

Estamos todos na mesma lama, disse Rossini Ferreira, da Agência Nacional de Águas, ao se referir à degradação ambiental de diversos rios brasileiros.

 

BARRAGENS

 

Os participantes reforçaram os problemas relacionados ao abastecimento de água no Vale do Jequitinhonha, como o desmatamento para dar lugar às pastagens e a monocultura de eucalipto, as grandes outorgas (licençaS) dadas pelo IGAM para uso de água e também os gargalos sociais gerados por essa situação.

 

União de todas as forças independente de ideologias políticas e construção urgente de barragens, para salvar o rio,  deram o tom dos discursos.

 

Foto aérea do rio Araçuai, feita na tarde de sexta-feira (25) antes do encontro e publicada pelo jornal Gazeta, chocou internautas. Imagem mostra a destruição das matas ciliares e o desmatamento indiscriminado no entorno do rio.

 

 “O Vale do Jequitinhonha inteiro está se  mobilizando em favor do rio Araçuai.As carências do Vale são muitas, mas a mais importante é a água. Sem ela não há vida.Temos de nos despir das vaidades políticas, mas precisamos olhar para trás para ver o que foi feito e o que não foi feito”, destacou o deputado federal Igor Timo, natural de Virgem da Lapa. Com a voz embargada ele chorou ao lembrar que durante a infância se banhava nas águas do Araçuai e do São Domingos, que corta a sua cidade natal e que hoje está seco e tomado por esgotos.

 

“ As barragens são fundamentais e para isso é preciso projetos bem feitos. Não podemos perder mais tempo. Montei estrutura no meu gabinete para auxiliar os prefeitos nesse empreitada”, salientou o deputado, acrescentando que se for preciso serão realizados outros encontros para aprofundar o tema.

 

Ouve pequeno tumulto no final da reunião porque após a fala dos convidados, foi desfeita a mesa, antes da manifestação dos que se inscreveram para falar. “Muita desorganização. Viemos de longe, Ficamos aqui por mais de 4 horas ouvindo as autoridades. Agora elas precisam nos ouvir”, bradou no microfone a agricultura Elizabeth Barbosa, da Associação de Preservação do Meio Ambiente de Mandassaia (APAM) no município de Leme do  Prado.

A indignação da estudante Ana Lúcia foi aplaudida por todos.Ela recebeu o apoio do deputado Igor Timo.

 

Durante os pronunciamentos, a estudante Ana Lúcia Dias dos Santos, de 17 anos, interrompeu os trabalhos para manifestar sua indignação com o descaso das autoridades com o rio. “ Queremos nosso rio de volta”, gritou. Ela é aluna do curso técnico de agrimensura do IFNMG-Instituto Federal Norte Mineiro, campus Araçuai. Foi aplaudida por todos. Para ela que participa de 6 movimentos sociais, a construção de barragens não é a única solução. É preciso recompor as matas nativas e recuperar as matas ciliares", acredita a estudante.

 

" Não podemos perder mais tempo, senão o rio vai morrer". Pelo menos esta foi a conclusão de todos.

 

Sérgio Vasconcelos

Repórter