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08/11/2019 - 09:13 - Fonte: Luiz Ribeiro-Estado de minas

Ataque em escola de Caraí faz lembrar massacres: veja como agiu o atirador

Estudante de 17 anos de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, invadiu escola armado e vestido de preto, atirando contra colegas, como ocorreu em casos de Suzano e Realengo

Foto: divulgação Ataque em escola de Caraí  faz lembrar massacres: veja como agiu o atirador
Escola estadual em distrito de 2 mil habitantes no município de caraí, no Vale do Jequitinhonha, foi alvo do ataque. Na sala que agressor tentou invadir ficaram as marcas da violên

Ponto do Marambaia, distrito do município de Caraí, no Vale do Jequitinhonha, a 560 quilômetros de Belo Horizonte, sempre foi um povoado pacato, de 2 mil habitantes, localizado às margens da BR 116 (Rio-Bahia). Mas a tranquilidade foi quebrada na manhã de quinta-feira (8), quando o medo espelhado por massacres em escolas mundo afora, e especialmente em recentes ataques no Brasil e em Minas, invadiu a Escola Estadual Orlando Tavares, que atende a alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio.

 

O pânico foi causado por um estudante de 17 anos, que, vestido de preto e armado com uma garrucha e um facão invadiu a unidade em que estuda, ateou fogo a mochilas de colegas e investiu atirando contra alunos, ferindo dois deles. Segundo a Polícia Militar, um amor não correspondido, teria motivado o agressor que foi apreendido.

 

 

.vestido de preto e armado, aluno invadiu escola e provocou pânico mas acabou detido.

 

O ataque provocou correria de crianças e de mães chorando e levou comerciantes a baixar portas de suas lojas. Segundo o diretor da escola, Márcio Anselmo Vieira Matos, havia cerca de 300 alunos no local no momento da invasão, que aconteceu por volta das 8h, quando parte dos estudantes fazia atividades de educação física.

 
 
 
 
atirador estuda no turno da manhã, no 2º ano, mas não havia comparecido à aula ontem.
 
 
Na sala onde ocorreu o ataque, ficaram as marcas do terror.
 
 
Segundo a Polícia Militar, vestido roupa preta, armado com uma garrucha de dois canos e com um facão, carregando ainda a réplica de uma pistola, ele pulou o muro da unidade de ensino. Primeiro, foi até uma sala de aula, onde ateou fogo a mochilas dos colegas. Também desligou a energia do prédio.

 
Ao tomar conhecimento de que o adolescente estava armado na escola, o diretor orientou que todos os professores trancassem as portas das salas. Na sequência, ouviu tiros e pessoas que estavam fora das salas de aula correram para saída de emergência.

 
O atirador tentou entrar numa sala de aula onde estavam cerca de 30 alunos. A ação heroica da professora Sandra Borges Ferreira impediu consequências piores do ataque. Ela segurou a porta pelo lado de dentro, com a ajuda de outros alunos. O invasor, então, atirou pelo lado de fora. A bala atravessou a porta e atingiu o aluno Marco Antônio Beirão Santos, também de 17, no pescoço. O estudante Fabrício Ferreira Passos, de 17, sofreu ferimentos na mão direita e no dedo da mão esquerda, provavelmente causados também pelo facão usado pelo agressor.

 
Sem conseguir entrar na sala, a informação é de que o jovem saiu atirando pelo corredor da escola, onde teria feito pelo menos cinco disparos. Chegou a apontar a arma para um professor, mas foi contido por um irmão, que tomou a garrucha dele. Ao ser apreendido pela Polícia Militar, o estudante contou que a arma pertencia ao seu padastro, que acabou detido.
 
 
Segundo relato de policiais, o atirador relatou que a intenção dele era “assustar” duas colegas de sala, que não quiseram manter relacionamento com ele.  O irmão do atirador declarou que ele sempre foi tranquilo e nunca tinha apresentado transtornos.

 
Uma das adolescentes contou que vinha recebendo constantes mensagens do colega de sala, propondo namoro, mas que sempre as recusou. Na quarta-feira, após mais um “não”, o estudante enviou outra mensagem com xingamentos contra a garota, que, por esse motivo, acabou bloqueando o jovem no aplicativo WhatsApp.

 
O autor do ataque chegou a dizer que um colega dele comentou sobre massacres ocorridos em escolas, referindo-se a ataques a instituições de ensino em Realengo (RJ), Janaúba (MG) e Suzano (SP). Um outro menor também foi apreendido no distrito de Ponto do Marambaia por suspeita de coautoria na ação, embora o autor do ataque tenha dito que agiu sozinho.

 
Os estudantes feridos foram encaminhados para o Hospital Nossa Senhora Mãe da Igreja, na vizinha Padre Paraíso (a 15 quilômetros de Ponto do Marambaia). Fabrício Passos foi liberado. Já Marco Antônio, que perdeu muito sangue e teve de ser submetido a transfusão, foi transferido para hospital em Teófilo Otoni. Na tarde de ontem, o quadro dele era estável.
 
 
 
feridos foram encaminhados para o hospital em Padre Paraíso a 20 km da escola.

 

Pânico e correria

 

 


“Foi a primeira vez que teve uma coisa dessas aqui. Foi terror mesmo. Todos os moradores ficaram apavorados”, contou o comerciante Adriano dos Santos Jardim, de 49, ao relatar os momentos de pânico vividos pelos moradores. Ele é dono de uma loja de materiais de construção em frente à escola. Disse que vai ficar para sempre na sua memória a cena de crianças correndo apavoradas e mães chorando, com o temor de que os filhos tivessem sido atingidos pelos tiros cujos estampidos vinham de dentro da escola.


 

Os momentos de pânico também são recordados pelo balconista Primitivo Moreira Bento Neto, de 39. “Vi mães correndo e chorando. As crianças e professoras entraram na loja, com medo, na hora dos tiros”, disse Primitivo, revelando que, por precaução, as portas da revenda de material de construção foram abaixadas, como as de outras lojas vizinhas.
 

 
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que, no fim da manhã, a equipe da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Teófilo Otoni estava na escola para apurar o caso e dar apoio à direção, à comunidade escolar e às famílias dos dois alunos feridos. “Representantes da SRE acompanham a situação dos alunos no hospital. A direção esclarece, ainda, que todas as informações necessárias estão sendo passadas para os órgãos competentes, que farão a investigação e apuração do caso”, pontuou.
 
 
 
O governador Romeu Zema divulgou nota em que lamentou o episódio. “Uma tragédia maior só não ocorreu graças ao trabalho e ação dos professores e alunos da Escola Estadual Orlando Tavares. Já determinei que seja prestado todo o apoio à instituição de ensino, às famílias das vítimas, aos estudantes, pais, professores, demais funcionários e a toda a comunidade escolar”, diz trecho no texto.