Seu Internet Explorer está desatualizado

Para uma melhor visualização do site, utilize a mais nova versão ou escolha outro navegador.

Notícias » Cidades

22/10/2019 - 12:39 - Fonte: Gazeta de Araçuai

ETE de Coronel Murta é alvo de protestos após queda de laje de reator

Moradores querem a retirada da ETE do perimetro urbano da cidade. Estação está em funcionamento há mais de 10 anos, mas apresenta problemas estruturais.

Foto: Gazeta de Araçuai  ETE de Coronel Murta é alvo de protestos após queda de laje de reator
Polícia foi chamada por funcionários da Copasa que pediram saída de manifestantes de frente ao portão

 

Moradores da região central de Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha (MG) realizaram na manhã desta sexta-feira (22) um protesto em frente à Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) da cidade, cuja laje do reator que faz o tratamento dos dejetos se rompeu na última quarta-feira (19) causando transtornos no serviço.

 

Durante o protesto, o vereador Douglas Aguilar Bittencourt, que liderou o movimento,  chegou a ser detido e levado para o destacamento policial, após invadir a área reservada da ETE e fazer um vídeo mostrando o despejo de esgotos in natura no rio. Foi feito o registro da ocorrência e na sequência, o vereador foi liberado.

 

O protesto contou com a presença de cerca de 60 moradores e 4 vereadores. A prefeita do município não compareceu à manifestação.

 

A Copasa informou que vai abrir licitação para contratar uma empresa para fazer os reparos na laje.

 

Queda da laje do reator motivou o protesto

 

Desde que a ETE foi inaugurada, há aproximadamente 15 anos, que o mau cheiro  incomoda quem reside na região.

 

Outros protestos já foram organizados no local por conta do mau cheiro provocado pela ETE.“Já fizemos abaixo assinado mas não resolveu nada”, lembra Núbia Rodrigues, 31 anos, proprietária de uma pequena mercearia localizada ao lado da ETE.

 

Manifestantes se concentraram em frente à ETE.

Os moradores estão revoltados e dizem não suportar conviver diariamente com o fedor. “Você vai tomar café da manhã e sente aquele cheiro horrível e já não fica muito bem. Aí saí para o trabalho e volta no almoço e a mesma coisa. À noite, nem se fala, você perde o apetite”, conta Núbia Rodrigues, 31 anos, moradora do lugar.

 

— Na hora do almoço temos que trancar as janelas de casa,  É um cheiro insuportável durante todo o dia — afirmam.  “ Tem dia que os urubus entram dentro das nossas casas”, relatou Ana Rosa Jardim de 59 anos.

 

A situação ocasiona inúmeros transtornos aos habitantes que querem a retirada da ETE da região. Além do desconforto, alguns moradores relataram que sentem dores de cabeça e náuseas nos dias em que o  mau cheiro está mais evidente. – É um sofrimento. Não nos alimentamos nem dormimos direito. Temos vergonha de receber visitas”, lamentou Maria Augusta da Mota , de 63 anos.

 

A situação já foi discutida durante audiência pública em dezembro de 2017 na Câmara Municipal com representantes da Copasa ,  conforme informação do vereador Ailton Jardim, atual presidente da Câmara..

 

— Nós pagamos uma taxa alta para que este esgoto seja tratado corretamente e não para gerar transtorno à população — reclamou o vereador Douglas Bittencourt Murta.

 

Vereador Douglas Bittencourt mostra esgotos que sai da ETE, caindo no Rio Jequitinhonha

 

Ele acredita que o esgoto sanitário não é tratado da forma adequada e que os dejetos in natura estão sendo despejados no Rio Jequitinhonha, que fica a poucos metros da ETE. Segundo ele, além do mau cheiro, os moradores também reclamam que a bomba de captação de água que serve à população está abaixo do local onde são despejados os esgotos. “É um pecado ecológico”, salientou o padre Carlos Badaró, que esteve no local.

 

Captação da água que serve à população é feita abaixo do local onde são despejados esgotos que saem da ETE

 

O vereador  Douglas Murta, ressalta que a situação se arrasta há tempos. “Durante a audiência pública fizemos o pedido para mudar a bomba de lugar  e ficou acertado que o problema seria resolvido mas até hoje nada”, acrescentou o presidente da Câmara Ailton Jardim.

 

 

 “A gente fez esse protesto para chamar atenção dos órgãos competentes”, disseram os organizadores.

 

A Policia Militar esteve no local para pedir a retirada de uma caminhonete que bloqueava o portão de entrada da ETE e impedia a entrada de funcionários.

 

Depois da retirada do veículo, dois funcionários da empresa entraram no local e abriram as comportas para o esgoamento do esgoto, o que acabou gerando revolta e detenção do vereador Douglas Aguilar , que filmou a ação. Ele foi liberado em seguida.

 

A Copasa nega que o esgoto despejado tenha sido "in natura".

 

Sérgio Vasconcelos

Repórter