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06/07/2020 - 09:35 - Fonte: G-1

Idosa de Pedra Azul faz 100 anos e ganha carreata surpresa de presente

Natural de Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha (MG), dona Maria Dias vive há 50 anos em Montes Claros.

Foto: divulgação Idosa  de Pedra Azul faz 100 anos  e ganha carreata surpresa de presente
Cerca de 50 familiares e amigos se reuniram para celebração com direito a balões e buzinaço

Os familiares de dona Maria Dias já tinham planejado: quando ela completasse 100 anos, a festa seria pra lá de especial. O problema é que a pandemia mudou os planos de todos justamente quando a data chegou. Mudou, mas não anulou.

 

No último domingo (5), a idosa, nascida em Pedra Azul e  moradora de Montes Claros (MG) ganhou uma carreata de aniversário com direito a balões, frases nos vidros dos carros e buzinaço. Cerca de 50 pessoas estiveram na porta da casa dela para cantar parabéns.

 

 

“Minha mãe foi e continua sendo uma guerreira. Há três meses eu não a via, porque não pode ter contato para evitar o vírus. Ela achou que o aniversário ia passar em branco, mas de jeito nenhum permitiríamos isso, nos adaptamos e deu certo”, conta a filha Beatriz Ribeiro.

 

Os mais novos também se emocionaram com a festa improvisada, como aconteceu com Luiza Marques, de 12 anos, uma das bisnetas da centenária.

 

“Nunca tinha participado de uma festa assim, onde não podemos abraçar quem festeja. Mas é por causa do coronavírus. Eu já aprendi muito com a bisa, principalmente a ser forte. Ela é forte. Meu coração está pulando igual doido aqui”, brinca a menina.

 

 

Outra bisneta, a Laila Barbosa, foi quem tomou a iniciativa de decorar a porta da casa da bisavó. Montou um cenário rosa e colocou mesinha com bolo e brigadeiro para festejar.

 

“É tão gratificante presenciar tudo isso ao lado da família. Todo mundo ficou emocionado, chorou. E não é para menos, porque é um marco que poucos alcançam. Claro que os planos eram outros, mas a realidade nos impôs restrições. O importante é que deu certo, de um jeitinho improvisado”, diz.

 

 

Dona Maria Dias nasceu na zona rural de Pedra Azul.

 

 

Vida de lutas e alegrias

 

Dona Maria Dias tem 14 filhos, 37 netos, 50 bisnetos e 2 tataranetos. E a família vai aumentar: tem mais dois bisnetos a caminho. Natural de Pedra Azul (MG), ela trabalhou na roça desde pequena, para ajudar nas despesas de casa.

 

Quando ficou ficou viúva, há 50 anos, ela mudou para a maior cidade do Norte de Minas, onde continuou a trabalhar na terra.

 

“Quando eu era criança, plantava milho com a vovó. Ela abria os buraquinhos no chão para eu lançar as sementes. Ficava agarrada nela igual carrapato. Se eu aprontasse, ela chamava a atenção brava. Muito brava. Mas era para o meu bem. Tenho memórias lindas com ela, de muita luta e persistência”, relembra a neta Maria Verônica Barbosa.

 

 

Maria é mulher de fé. Segundo os filhos, ela ora todos os dias, às vezes com cochichos audíveis, pedindo proteção para os dela. “Quando eu era criança, ia à igreja, na companhia de minha mãe e avó. Ela me ensinou princípios inegociáveis. Eu sou o que sou porque ela me fez assim. Sempre quando a vejo, peço a benção. Ela amorosamente responde ‘Deus te abençoe’. Nada paga isso”, revela o neto Altamir Marques.

 

Mas a saúde, de modo geral, requer acompanhamento médico. “Em dezembro do ano passado, minha tia teve um infarto. Uma veia do coração ainda está entupida, por isso, todo cuidado é pouco. É Deus que sustenta a vida dela, porque já foram muitas idas e vindas a hospitais”, relata o sobrinho Ricardo Vianna, que perdeu a mãe, irmã de dona Maria; se ela fosse viva, completaria 100 anos em 2021.

 

“Se eu não tivesse em fé em Deus, eu estava vivendo? Estava não”, responde dona Maria. Ela ainda conserva o humor de anos atrás. “Você está doida? Eu gosto de todos! Imagina se eu vou gostar de um e deixar os outros desprezados. Gosto de todos igual, todos igual”, fala quando pergunto se ela tem um filho preferido.

 

Aos 100 anos, ela ultrapassou e muito a expectativa de vida do brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média é 76,3 anos. Para alcançar essa marca, Dona Maria revela o segredo da longevidade.

 

Tem segredo não. Quer dizer, nada me aborrece, tenho tristeza não. São tantas coisas que me deixam feliz. Eu sou feliz”, resume ela.