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12/07/2020 - 08:58 - Fonte: Gazeta de Araçuaí

Como fazer gestão de conflitos em tempos de pandemia

A medida que se impõe nesse momento são os meios alternativos, visando restabelecer o diálogo e se valer de acordo, assumir o protagonismo e resolver seus problemas, a começar por uma mudança cultural

Foto: ilustrativa Como fazer gestão de conflitos em tempos de pandemia
Dialogar não é falar e ouvir, dialogar é falar, ouvir e buscar compreender

O problema esta aí para todos, a dificuldade é geral. Nunca vivemos algo parecido. É tempo de transformações e adaptações nesse cenário de incertezas e possíveis conflitos. .

 

Como lidar com divergências ao adquirir produtos, serviços, gerenciar sentimentos como mágoas, decepção, raiva, perdas econômicas, questões emocionais que ainda estejam abertas, e desejo de justiça?

 

Ante potenciais conflitos que surgem: adimplemento contratual, contratos de consumo, relações pessoais, enfim, uma gama de relações jurídica e acontecimentos inesperados, tornando mais complexos e numerosos conflitos.O que fazer?

 

 A via judiciária não é o melhor caminho, haverá colapso do judiciário por conta de tantas ações que serão ajuizadas devido o  atual momento, sem precedentes dessa pandemia.

 

A medida que se impõe nesse momento são os meios alternativos, visando restabelecer o diálogo e se valer de acordo, assumir o protagonismo e resolver seus problemas, a começar por uma mudança cultural. Esse diálogo, acontece por meio de sessão de conciliação ou mediação e pode ser a qualquer tempo, tanto na fase pré-processual quanto no curso do processo judicial, sempre será um caminho possível para a resolução dos conflitos. E, se não acontecer, aí sim, depois de esgotadas todas possibilidades de solução pacífica de conflito, as partes poderão se valer do direito de ação no judiciário.

 

Dialogar não é falar e ouvir, dialogar é falar, ouvir e buscar compreender. Possibilitando respostas novas e melhores, ao menos tentar, pode ser tão relevante para construir a solução.

 

MEDIAÇÃO

 

 

A mediação é complementar a atividade jurisdicional, é um direito das partes ter acesso a este ato processual. É uma ferramenta que possibilita resolver todo tipo de relação jurídica, e busca trazer a paz social, principalmente quando envolve conflito familiar. Como dispõe o art.694 do CPC: "Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação".

 

Parágrafo único, diz que "A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou atendimento multidisciplinar".

 

O acordo via de regra deve ser apresentado para as partes envolvidas, pelo advogado ou defensor público e irá contribuir muito com a (re)negociação de boa-fé, para salvar as relações jurídicas que ainda existem e as que estão por vir.

 

É certo que as pessoas querem é resolver seus problemas sem desgaste emocional, de dinheiro e sobretudo de tempo, em poucos meses e não ficar anos brigando. Afinal, brigar cansa.

 

Nessa travessia, que tal nutrir e cultivar o afeto, o respeito, a tolerância, a humildade, a cooperação e o diálogo? Sobreleva a certeza de que vale muito a pena buscar fazer diferente, refletir, tentar, conseguir por fim a um conflito com diálogo franco e  assim, todos saírem vencedores.

 

Em acréscimo, "Juiz nenhum, sentença alguma jamais será mais justa que a concórdia obtida numa audiência de conciliação. Pois, quando as partes se perdoam, a vitória obtida supera os limites do processo.

 

Alcançam os portões da alma".(Juiz Pablo Stolze, do Tribunal de Justiça da Bahia -TJBA).

 

Patrícia Ferreira

Advogada

 

Patrícia Ferreira é advogada especialista em Direito Penal. Colunista do Jornal Gazeta, escreve sempre aos domingos.