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21/09/2020 - 08:05 - Fonte: Gazeta de Araçuai

Araçuai chega aos 149 anos com velhos problemas do passado

Nas últimas décadas, Araçuai cresceu dentro da lógica da desordem, sem uma política de planejamento urbano.

Foto: arquivo Araçuai chega aos 149 anos com velhos problemas do passado
Com uma área de 2. 236,279 km, o município de Araçuai conta com cerca de 37 mil habitantes.

 

 

Quem mora em  Araçuai sente na pele o que é viver numa cidade  que aos 149 anos, completados neste 21 de setembro, ainda enfrenta velhos problemas como  lixo nas ruas, esgoto à céu aberto, praças mal cuidadas, falta de segurança, obras inacabadas, bairros com ruas sem calçamento,  degradação nos rios, desemprego, prostituição, tráfico de drogas  e violência.

 

As agressões tanto à natureza quanto aos moradores da cidade parecem não ter fim – e nem solução. Na verdade, as soluções existem. E todas começam no mesmo lugar: numa mudança na forma de encarar os problemas. Em vez de vê-los isoladamente, é preciso descobrir de que maneira eles se relacionam e, então, buscar soluções sistêmicas.

 

Nas últimas décadas, Araçuai cresceu dentro da lógica da desordem, sem uma política de planejamento urbano, com a abertura de loteamentos, sem a criação de um planejamento para os novos bairros que foram surgindo. Em épocas de seca, poeira. Quando chegam as chuvas, ruas enlameadas.

 

 Dar um fim em todos os problemas é um tremendo desafio. Depende, em grande parte, de governos mais comprometidos  com a saúde da cidade e de seus habitantes. Mas depende, também, e sobretudo, de uma mudança na atitude da população frente aos problemas da cidade. Afinal, se Araçuai é como um organismo, tanto a mente quanto o corpo precisam estar afinados. Ou seja: administração e moradores devem estar comprometidos com a qualidade de vida da cidade onde vivem.

 

 

Novos bairros surgem sem o devido planejamento urbano.

 

População envelhece

 

Quem anda pelas ruas, já pode observar que o município já enfrenta os desafios de uma população que se torna cada dia mais velha e acumula um grande número de aposentados, incluindo aqueles que se mudam para  a cidade em busca de uma melhor qualidade de vida.

 

 O município tem uma cobertura razoável de atenção primária na saúde, realizada  pelas unidades básicas, e algumas especialidades de média complexidade. Os casos mais complexos, no entanto, são encaminhados para a capital ou outros centros de referência.

 

Atualmente,  o município tem uma demanda grande nas especialidades de oftalmologia, ortopedia e cirurgia vascular, isso sem falar nos que necessitam de hemodiálise, tratamento contra o câncer e  que se submetem a horas e horas de viagem, em ônibus nem sempre seguros, para realizar procedimentos na capital.

 

Se a cidade mantém moradores mais velhos, por outro lado vive a diáspora de uma grande parte dos jovens. Eles buscam educação superior e melhores oportunidades de trabalho em cidades maiores. Os jovens da zona rural, por exemplo, ainda saem para o corte de cana, colheita do café, da laranja, da maçã e de outros produtos agrícolas, em estados como São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

 

Esperança de emprego e renda, o Complexo do Fruta Boa está paralisado com equipamentos sendo destruídos pela ação do tempo.

 

As desigualdades e o desemprego ainda são chagas abertas na corpo de Araçuai. Projetos como Fruta Boa, reciclagem do lixo, criação de tilápias na barragem do Calhauzinho, cooperativa de lapidários,  entre outros que poderiam  gerar emprego e  renda, sucumbiram pela incompetência política e falta de sensibilidade dos últimos governantes.

 

Para completar, assistimos a saída de nossas riquezas como as pedras preciosas e semi-preciosas, o lítio, e o granito para grandes centros, deixando um passivo ambiental enorme,  e um buraco ainda maior na nossa economia, com consequências sociais graves no futuro. 

 

Instalação do Campus do IFNMG trouxe novas perspecitivas na área de Educação para Araçuai.

 

A solução para os problemas exige tempo. Ao redor dela, acumulam-se grandes palavras como :educação, redistribuição de renda, abordagens culturais, saúde e trabalho e parcerias. Não há bala de prata mas, sem dúvida, investimento social e em educação e saúde, ajudam na  redução das desigualdades. As eleições estão aí. Há que se  ter cuidado com o populismo barato e promessas que sabemos nunca serão cumpridas. Quem promete remédios em curto prazo não é crível. Mas tampouco tem que se resignar: o esforço social coletivo pode alcançar resultados drásticos e capazes de levar Araçuai a vislumbrar um futuro melhor.

 

 

Sérgio Vasconcelos

Repórter