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15/03/2012 - 08:45 - Fonte: HJ

Hospitais filantrópicos dependem de doações para funcionar

Hospitais filantrópicos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) estão reféns de ajudas e doações de pessoas físicas, empresas ou fundações para manter suas atividades básicas ou ampliar o atendimento ao público

Hospitais filantrópicos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) estão reféns de ajudas e doações de pessoas físicas, empresas ou fundações para manter suas atividades básicas ou ampliar o atendimento ao público. As receitas extraoficiais já fazem parte do orçamento de muitas dessas instituições, o que, na avaliação do professor de gestão de saúde do Ibmec, Rodrigo Meister, é um modo perigoso de gerir o sistema. Representantes dos hospitais reclamam da remuneração praticada pelo Ministério da Saúde, que, por sua vez, critica a administração desses gestores.
 

Em Belo Horizonte, Santa Casa e hospitais da Baleia, Felício Rocho e Mário Penna são exemplos de instituições que contam com doações para oferecerem o melhor atendimento aos pacientes de todo o Estado.
 

A diretora-presidente da Fundação Benjamin Guimarães/Hospital da Baleia, Tereza Guimarães Paes, diz que os empréstimos bancários acumulados pela instituição já somam R$ 20 milhões, reflexos dos desníveis entre os recursos federais repassados e os gastos equivalentes aos atendimentos pelo SUS. O hospital, que fica no bairro Saudade, na região Leste da capital, destina 88% dos atendimentos a pacientes do SUS.
 

“O que existe é um subfaturamento da saúde no país. Se pensarmos que os atendimentos pelo SUS no hospital ultrapassam 80% do total e que o repasse federal não supre metade disso, fica quase impossível pagar as contas e ainda fazer investimentos, ou seja, mantê-lo funcionando. A tabela do SUS é absolutamente ridícula e, além de não ser reajustada, os valores são fixos, paga-se por procedimento”, critica.
 

Segundo o vice-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), Francisco Figueiredo, o repasse, que varia conforme o número de procedimentos realizados, é insuficiente para arcar com as despesas fixas dos hospitais. “Paga-se menos do que deveria, resultando em um déficit alto, que provoca um verdadeiro rombo nos cofres das instituições”, afirma. “Sem dúvida alguma, a questão da sobrevivência dessas entidades, que precisam recorrer a doações e campanhas, está muito mais relacionada aos recursos do governo, insuficientes”, diz Figueiredo.
 

Dados da Federassantas mostram que a dívida acumulada por 30% das instituições filantrópicas do Estado é de R$ 500 milhões. Dos 1.500 hospitais filantrópicos do país, 350 estão em Minas.
 

Por exigência do Ministério da Saúde (MS), hospitais filantrópicos precisam destinar um mínimo de 60% de seus atendimentos aos pacientes da rede pública.
 

No Hospital da Baleia, que segundo a presidente Tereza Paes mantém uma gestão “enxuta e rigorosa”, pelo menos R$ 5 milhões do faturamento anual vêm de doações e campanhas realizadas há cerca de seis anos. As doações voluntárias, feitas por meio da central telefônica da instituição, lideram o ranking dos recursos angariados junto a pessoas físicas e jurídicas.

 

Tereza Paes enumera outras iniciativas criadas para garantir o funcionamento do hospital e critica a postura do governo federal. “Há seis anos somos beneficiados pela campanha “Doe seu troco”, realizada em parceria com a Drogaria Araújo, em Belo Horizonte. Até agora, já foram arrecadados R$ 6,7 milhões.

 

“Também vendemos produtos, como agendas e camisetas, e realizamos jantares beneficentes. A questão é que, como entidade filantrópica, estamos exercendo uma função que deveria ser do governo. Se não fosse o problema financeiro, reflexo do repasse insuficiente, os recursos de doações poderiam ser utilizados de outra maneira”, diz Tereza Paes.

 

Os hospitais Mário Penna, Felício Rocho e Santa Casa de Belo Horizonte foram procurados, mas informaram, por meio de suas assessorias de imprensa, que não iriam se pronunciar sobre o assunto, temendo uma indisposição com o governo federal.