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05/11/2020 - 08:12 - Fonte: Gazeta de Araçuaí

População está desinteressada nas eleições este ano, apontam especialistas

Pandemia de Covid-19 afetou mentalidade tanto de eleitores quanto de políticos.Nas redes sociais, a propaganda eleitoral ficou mais intensa. Boa parte da verba que seria investida na campanha de rua foi para o digital. Por isso os usuários de redes sociais como Facebook e Instagram estão vendo mais anúncios de candidatos por lá.

Foto: ilustrativa População está desinteressada nas eleições este ano, apontam especialistas
para as pessoas que eram acostumadas com grandes ações presenciais, entrevistas e debates, a campanha eleitoral de 2020 está muito diferente

É inegável que 2020 é um ano atípico para a maioria dos brasileiros, principalmente por causa da pandemia de coronavírus. Por causa disso, diversos eventos foram afetados e, apesar de apenas terem sido adiadas, já que ocorreriam em outubro, não em novembro, as eleições municipais não ficaram de fora.

 

Normas sanitárias impostas pelas autoridades contra aglomerações, por exemplo, prejudicaram comícios, passeatas pelas ruas e visitas a domicílio, o famoso "tete a tete", práticas adotadas há anos pelos candidatos e que precisaram ser deixadas de lado esse ano. Com isso, o interesse pelo pleito também ficou em segundo plano.

 

Segundo o cientista político e professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e do Ibmec, Adriano Cerqueira, é visível que as eleições em 2020 estão mais "frias" e deverão ter muitas ausências se comparadas a anos anteriores. "Esse ano, a eleição municipal deve ter um baixo comparecimento do eleitorado, porque ele está muito desmotivado, sem cabeça para eleição e muito preocupado com a pandemia", disse.

 

Pode ter algumas exceções, mas o quadro geral é de desmotivação, falta de consciência que vai ter uma eleição, uma votação agora no dia 15. Acho que muitos vão se surpreender no dia sem ter nome de vereador para votar e não muito certo quanto ao prefeito", alertou.

 

Ainda de acordo com Cerqueira, esse sentimento geral favorece quem já está no poder. "Esse quadro de desmobilização é muito favorável para um prefeito que está disputando a reeleição, porque ele já está no cargo, ele tomou medidas na pandemia, respondendo à pressão da população de que algo tinha que ser feito. E mesmo se foi pouco, ele apareceu fazendo algo, e isso foi positivo na avaliação da população", explica.

 

Além do mais, ele não acredita que haverá mudanças nos próximos dias. "Tomara que esse quadro seja revertido, mas a falta de comícios, a famosa política do 'corpo a corpo', que é feita através de aglomerações, que é um processo muito cívico e bacana que as eleições provocam, por conta da pandemia isso não está acontecendo", concluiu.

 

Pandemia levou desinteresse pelas eleições  para grande parte da população.

 

Reflexo nos candidatos

 

Professor de direito na UNA, o analista político Carlos Barbosa enxerga uma certa acomodação quanto às eleições também entre os candidatos.

 

Conforme ele, o povo não cai mais em "papinho" de político para ganhar voto como antes. "As pessoas estão atentas, elas estão ouvindo os candidatos, mas eles não estão apresentando nenhuma discussão que seja realmente viável, a ser concretizada na próxima gestão. E isso acaba realmente gerando a falta de interesse das pessoas em torno das eleições municipais em BH", completa.

 

No mais, assim como o especialista anterior, Barbosa classifica a pandemia da Covid-19 como o fator chave para esse fenômeno atípico na política brasileira. "Quando nós vivenciamos uma pandemia como esta, observamos que as pessoas ficam mais preocupadas com questões envolvendo a esfera privada do que a própria esfera pública", opinou.

 

"Muitas pessoas perderam o emprego e estão inseguras com o futuro. Isso gera uma preocupação em torno desses fatores que atingem cada indivíduo e a sua família.-, conclui o professor.