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15/04/2021 - 12:08 - Fonte: Gazeta de Araçuaí

Professores se viram para ensinar

Sem uma regulamentação clara do trabalho remoto por parte do MEC, educadores arcam com estrutura ao levar sala de aula para a casa

Foto: arquivo Professores se viram para ensinar
Passados 13 meses do começo da pandemia, professores, pais e alunos continuam com a sensação de que nada mudou.

Os casos e as mortes por Covid-19 continuam batendo recordes. As escolas fechadas, a dificuldade de acesso e a falta de diretrizes nacionais da educação ainda são problemas.

 

Passados 13 meses do começo da pandemia, professores, pais e alunos continuam com a sensação de que nada mudou. “A escola é um equipamento importante. E aquilo que ela oferecia, a gente não vê o poder público oferecendo nem para estudantes, nem para trabalhadores. Aí vão dizer: ‘mas ninguém estava acostumado a lidar com isso’. Só que já se passou um ano. Eu acho que já deu para pensar muita coisa. Essa situação ainda vai permanecer por muito tempo e é preciso pensar políticas públicas”, afirma a professora de português Patrícia Pereira, há 18 anos na rede pública.

 

 

Logo nos primeiros dias da pandemia, as escolas particulares correram para adaptar o ensino remoto. Foi mais rápido do que a rede pública, mas, nem por isso, foi mais fácil. A presidente do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), Valéria Morato, reclama de uma falta de diretriz mais clara do governo federal para nortear melhor o trabalho dos Estados. “A educação do Brasil está numa nau a deriva. Os professores estão, desde março de 2020, vivendo sob forte tensão, com sentimento de insegurança, de incerteza. Tiveram que se virar, da noite para o dia, alterar a metodologia pedagógica, investir em equipamentos, por conta própria e se capacitar. Tudo isso com as aulas acontecendo”, afirma.

 

Para a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), Vanessa Portugal, é necessária uma regulamentação clara para o trabalho remoto dos professores na pandemia e não apenas diretrizes sem dizer como cumprir. “Não há uma definição de quantitativo do trabalho e estruturação. A prefeitura, por exemplo, cortou as dobras, ou seja, os professores que atuavam de manhã e a tarde estão em um turno só. Na prática isso é redução de professores, mas se pensarmos que estamos com mais trabalho, uma vez que estamos tendo que ajudar a encontrar os alunos e atendê-los em diferentes horários, a lógica teria sido aumentar o número de profissionais”, afirma.

 

Questionado sobre quais foram as normativas e orientações dadas tanto para as escolas quanto para o apoio aos professores, o Ministério da Educação (MEC) respondeu, por meio de nota, que, no começo de 2020, “ instituiu o Comitê Operativo Emergencial (COE), composto por todas as secretarias e vinculadas do MEC, além das representações das universidades, institutos federais e das secretarias estaduais e municipais de educação, para discutir e coordenar as medidas de combate aos efeitos da pandemia na educação”. O órgão citou ainda a autonomia dos entes federados e as diferentes condições sanitárias em cada Estado para determinação de um possível retorno das aulas presenciais. E, apesar de haver uma pergunta específica sobre a situação dos professores, nenhuma linha foi escrita pelo ministério a esse respeito.

 

O que o governo chama de autonomia, muitos educadores chamam de falta de diretriz, o que acaba pesando no bolso. Sem ajuda de custo para o teletrabalho, muitos  professores de matemática  estão gastando do próprio bolso para fazer a aula remota funcionar. 

 

Professores enfrentam desafios com o ensino remoto

 

Adesão

 

A adesão dos estudantes às aulas é outro desafio. Nas escolas privadas, 59% dos professores afirmam que a maioria dos alunos têm participado das aulas. Mas, na rede pública, o indicador cai para 32%, segundo o portal Nova Escola.

 

“Nós juntamos turmas e, de 70 alunos, só aparecem uns 25. E ninguém liga a câmera. Mas os alunos são mais vítimas do que sujeitos, muitos não têm acesso a computadores ou internet, outros trabalham. E nós, professores, nos sentimos impotentes. Estamos recebendo alunos do ensino fundamental que nem tiveram aulas no ano passado e já começamos a perceber a defasagem. A maior questão disso tudo é a perda do conhecimento”, lamenta o professor de filosofia Marcelo Gomes, 39, da rede municipal de Contagem.

 

Reflexo na qualidade

 

A falta de diretrizes nacionais claras afetam inclusive a qualidade das aulas. “O processo está mais ou menos assim: a gente finge que ensina e os alunos fingem que aprendem. E não é porque não há esforço dos dois lados porque tem muito. É porque nós simplesmente transportamos um modelo antigo de ensino para o computador, sem nenhuma adaptação. Estão aprendendo mesmo só os alunos que têm um nível muito alto de concentração”, conta um professor que atua nas redes pública e privada em Belo Horizonte e não quis se identificar com receio de perder o emprego.