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06/09/2021 - 09:20 - Fonte: EM

Volume de água do Rio Jequitinhonha aumentou, diz estudo.

Berçário de importantes bacias hidrográficas, Minas Gerais perdeu em 30 anos, 118 mil hectares de águas superficiais, indica estudo do MapBiomas

Foto: arquivo Volume de água do Rio Jequitinhonha aumentou, diz estudo.
O Rio Jequitinhonha tem 1.090 km . Ele atravessa o nordeste do Estado de Minas Gerais e desagua no oceano Atlântico, em Belmonte, no estado da Bahia.

Minas Gerais enfrenta uma das piores estiagens da história, mas a crise hídrica, que afeta o país como um todo, está longe de ser apenas um fenômeno pontual. O estado que já foi chamado de Caixa-d’água do Brasil está ficando cada vez mais seco, consequência da degradação ambiental e das mudanças climáticas. Análise de dados de satélites mostra que, entre 1985 e 2020, as maiores bacias hidrográficas mineiras sofreram quedas acentuadas de superfícies de água.

 

Nascente do Rio Jequitinhonha, na cidade do Serro.

Entre os principais rios, o único que aumentou em área no período avaliado foi o Jequitinhonha. Mas não por recuperação ambiental, e sim devido à ação humana, com a construção da hidrelétrica de Irapé, inaugurada em 2006.

 

Aumento das águas do Rio Jequitinhonha, está ligado à Barragem de Irapé.

 

Dados que mostram uma perda de 118 mil hectares de superfície de água em três décadas e meia em Minas – o equivalente a 605 vezes o espelho da Lagoa da Pampulha – fazem parte de estudos dos pesquisadores do MapBiomas, iniciativa que envolve organizações não governamentais, universidades e empresas de tecnologia.


O levantamento nacional aponta a perda de superfície de água em oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras, com redução em 23 das 27 unidades da Federação e em todos os biomas.

 

Porém, em Minas, as perdas de superfície dos principais rios que nascem no estado são bem superiores à média de redução em nível nacional, de 15,7%. Segundo o estudo, a bacia hidrográfica mineiras com maior redução superficial no período analisado foi a do Rio Urucuia, com queda de 45%.



Retratado nas obras do escritor Guimarães Rosa, o curso deságua no São Francisco, assim como o Rio Verde Grande, outro importante manancial do estado, que teve perda de superfície de água de 40%, ou o  Paracatu,  que encolheu em 25%.

 

De acordo com o MapBiomas Águas, a Bacia do Rio São Francisco, que nasce na Serra da Canastra, em Minas, e percorre cinco estados até encontrar o Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, também sofreu diminuição global de 15% na área ocupada por suas águas. A pesquisa aponta que o complexo teve perda de 125.369 hectares (ha) de superfície hídrica, saindo dos 832.115ha de 1990 para 706.746ha em 2020.

 
O mesmo percentual de perda de água superficial ocorreu no Rio Doce, que nasce em Minas Gerais e segue em direção ao Espírito Santo, onde deságua no Oceano Atlântico, no município de Linhares. 
Como agravante, esse manancial foi totalmente comprometido, até sua foz, pelo desastre do rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015.
 

Maior impacto em Minas Gerais 

 
Um dos pesquisadores do MapBiomas Água, o professor Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, lembra que, das 23 unidades da Federação que sofreram redução hídrica, Minas Gerais está entre as 10 que mais tiveram perdas nas últimas três décadas.
 
 leito seco do Rio das Pedras, na comunidade de Água Boa, no Norte de Minas. Rio virou estrada.
 
O MapBiomas relata exatamente isto: rios que existiam não existem mais ou têm cada vez menos água. Isso tem duas causas principais: o desmatamento e as mudanças climáticas, que vêm provocando secas cada vez mais extremas, mais longas e mais intensas, que diminuem a produção e a oferta de água”, descreve o pesquisador, acrescentando que a situação afeta regiões como a que abriga as nascentes do São Francisco.
 
O professor Luiz Fernando acrescenta que a devastação dos principais biomas do estado afeta diretamente a produção de água. “Minas Gerais já desmatou muito a mata atlântica e o cerrado. Isso tem uma consequência enorme sobre as nascentes e os rios. Quanto mais florestas, mais estável a oferta de água. Quanto mais desmatamento, maior prejuízo para a produção de águas”, explica.
 
Para conter o “esvaziamento” da caixa d’água do Brasil e recuperar o volume das bacias hidrográficas mineiras, o professor Luis Fernando Guedes Pinto destaca a necessidade de reflorestamento, sobretudo com o replantio em torno de nascentes de rios e córregos.